
A autonomia foi vendida como alívio para quem dirige, mas a próxima etapa parece exigir que o motorista vire, na prática, parte do laboratório das montadoras.
A partir de deste mês na Alemanha, a BMW começa a coletar imagens, vídeos e dados de sensores de carros de clientes para treinar e aprimorar seus sistemas semiautônomos.
O programa estreia com o novo BMW iX3, depois se estende ao i3 e a outros modelos futuros, sempre mediante consentimento do cliente antes de qualquer captura de imagem.
A ideia é registrar o que acontece dentro e ao redor do veículo quando ocorre um “quase incidente”, criando um banco de situações reais que a marca diz ser mais valioso que simulações.
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Em vez de enviar gravações o tempo todo, a BMW afirma que o sistema só salva dados em eventos específicos, o que inclui frenagens fortes e manobras evasivas repentinas.
Entram na lista também intervenções do freio automático de emergência e quase-colisões durante mudanças de faixa, momentos em que os assistentes são mais exigidos.
Nessas situações, o carro pode capturar imagens das câmeras externas e anexar informações como velocidade, ângulo de direção, direção de deslocamento e leituras de outros sensores.
Segundo a BMW, isso ajuda a melhorar recursos como frenagem automática de emergência, assistência de mudança de faixa, alerta de tráfego cruzado e as funções Highway e City Assist.
A montadora diz que o objetivo é proteger não apenas os ocupantes, mas também pedestres, ciclistas e outros usuários da via, reduzindo erros de percepção e reação.
A comparação com a Tesla é inevitável, já que a empresa faz algo semelhante há anos e enfrentou um problemão envolvendo funcionários assistindo a momentos registrados em carros.
A BMW tenta se antecipar à desconfiança afirmando que borra rostos, que o recurso é opt-in por padrão e que não guarda “cada segundo” do cotidiano.
A marca também diz que placas são anonimizadas antes de qualquer dado sair do veículo, ao menos quando isso for tecnicamente possível, e que não usa os sistemas para identificar pessoas.
Quando o material chega aos servidores, a BMW afirma que o número de identificação do veículo é removido automaticamente, tornando “praticamente impossível” rastrear a gravação até um carro específico.
Por enquanto, o lançamento fica limitado à Alemanha, mas a empresa planeja expandir em etapas para o restante do Espaço Econômico Europeu.
As melhorias extraídas dessas situações reais poderiam voltar aos clientes por atualizações remotas de software, transformando a frota em fonte contínua de aprendizado.
A BMW ainda busca esclarecer se a coleta de dados chegará aos EUA quando iX3 e i3 forem lançados por lá, enquanto o debate sobre privacidade ganha força na Europa.
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