
A virada mais dura da Stellantis não está apenas na estratégia de EVs, mas também na forma como a empresa quer ver seus funcionários trabalhando.
Em um momento em que a montadora assumiu um encargo de cerca de R$ 135 bilhões para redesenhar seu plano de EVs, as ações chegaram a despencar 25% em um único pregão.
Sob esse clima de urgência, o CEO Antonio Filosa aproveitou um encontro geral em uma sexta-feira para cravar que colaboração presencial será prioridade absoluta a partir de agora.
Ele contou aos funcionários que uma viagem a San Francisco, no início do ano, reforçou sua convicção de que o trabalho no escritório é decisivo para performance.
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Na visita, Filosa se reuniu com várias empresas de software e de IA e disse ter encontrado escritórios cheios, com times discutindo produtos cara a cara o tempo todo.
Um dos exemplos que mais o impressionaram, segundo o relato, foi a Applied Intuition, startup de IA que já colabora com a Stellantis em sistemas de infoentretenimento para veículos.
Ver engenheiros da startup trabalhando em período integral no escritório teria servido de inspiração para defender que uma companhia muito maior não pode ser menos “focada”.
Daí vem a nova diretriz: funcionários nos Estados Unidos terão de voltar ao trabalho presencial cinco dias por semana a partir de 30 de março.
Colaboradores de outros países também deverão migrar ao regime totalmente presencial, embora os prazos variem conforme cada região e legislação local, indicando uma mudança global.
A Stellantis se recusou a comentar oficialmente a reunião interna, mas o conteúdo da fala de Filosa se espalhou entre equipes por meio de transcrições compartilhadas.
A guinada contrasta com a postura de 2022, quando o grupo se tornou um símbolo de flexibilidade ao permitir que a maior parte do pessoal administrativo ficasse até 70% do tempo em casa.
No ano passado, esse privilégio já havia encolhido, com a exigência de pelo menos três dias de escritório por semana, preparando o terreno para o fim do híbrido em muitas áreas.
A rival Ford também apertou o cerco, exigindo quatro dias presenciais e avisando que a resistência às regras pode resultar até em demissão para quem insistir em ficar em casa.
O movimento espelha o que vem acontecendo na própria indústria de tecnologia, com gigantes como Amazon e Meta impondo retornos obrigatórios aos escritórios em nome de eficiência e cultura “hardcore”.
Filosa, ex-chefe da Jeep, assumiu o comando global em junho de 2025 com a missão clara de interromper anos de queda nas vendas da Stellantis nos Estados Unidos.
Ao endurecer o tom e desmontar o antigo modelo remoto, ele tenta sinalizar ao mercado que a companhia está disposta a fazer cortes e mudanças profundas para reagir.
Dentro da empresa, há quem tema perda de talentos que se acostumaram a mais flexibilidade desde a pandemia, especialmente em áreas disputadas como software e tecnologia embarcada.
Outros defendem que projetos complexos de conectividade e novos EVs exigem decisões rápidas e interação constante, algo que, segundo eles, flui melhor quando as equipes estão lado a lado.
Enquanto líderes ajustam rotinas ao novo regime presencial e funcionários avaliam o impacto na vida pessoal, uma coisa parece certa: na Stellantis, o home office deixou de ser prioridade e virou passado bem recente.
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