Anfavea alerta para montagem de veículos em kits CKD e SKD; montadoras dizem incentivos ameaçam quase 70 mil empregos

byd fabrica 10000
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Um estudo feito pela Anfavea aponta que a substituição da produção automotiva completa no Brasil pela simples montagem de kits em CKD ou SKD, respectivamente desmontado ou semidesmontado, pode eliminar nada menos que 69 mil empregos diretos na indústria local.

Segundo a Anfavea, isso é equivalente a 75% da força de trabalho atual do setor, além de afetar cerca de 227 mil postos indiretos ao longo da cadeia automotiva.

O levantamento estima ainda uma perda econômica de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças e uma redução de aproximadamente R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos em somente um único ano.

As perdas nas exportações de veículos seriam de R$ 42 bilhões em um ano, prejudicando a balança comercial do país.

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Após seis meses de vigência do regime que instituiu cotas com Imposto de Importação a zero para kits de veículos elétricos e híbridos desmontados (SKD e CKD), a entidade defende o encerramento do benefício em 31 de janeiro.

Esta data está em conformidade com a sinalização prévia dos órgãos federais de comércio exterior. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a eventual prorrogação da medida representa um risco estrutural para a indústria nacional.

Calvet disse: “As empresas conseguiriam se adaptar adotando um modelo simplificado de produção, mas o problema seria relevante para a cadeia como um todo: perderiam as empresas fornecedoras, os trabalhadores, a engenharia nacional, a academia e o poder público. Ou seja, a sociedade brasileira inteira.”

O estudo da Anfavea indica que a ampliação da entrada de veículos eletrificados importados sem agregação de valor local tende a pressionar fabricantes já instalados no país.

Isso eventualmente pode reduzir investimentos em desenvolvimento tecnológico e enfraquecer a competitividade industrial brasileira, especialmente em um contexto de transição tecnológica e reindustrialização.

Para Calvet, o problema está na manutenção dos incentivos e não nos processos industriais que são utilizados em algumas operações no país.

O executivo ressalta: “SKD e CKD não são processos prejudiciais em si. Muitas montadoras iniciaram suas operações no Brasil por esses modelos, recolhendo os devidos impostos e estruturando, a partir disso, sua produção local. Outras valem-se do modelo para atender nichos de mercado.”

Igor Calvet pontua: “O problema é manter incentivos para a simples montagem em alto volume sem exigência de aporte de valor nacional, o que ameaça a sobrevivência da indústria de alta complexidade e a geração de empregos qualificados no país.”

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Autor: Ricardo de Oliveira

Com experiência de 29 anos na área automotiva, há 18 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz testes e avaliações. Suas redes sociais: Instagram, Facebook


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