Anfavea diz que falta de chips na cadeia global pode afetar produção de veículos no Brasil

Dois trabalhadores de uniforme branco e capacete manipulam uma carroceria metálica em uma fábrica, cercados por máquinas e estruturas amarelas.

O caso da empresa holandesa Nexperia mostrou ao setor automotivo global que impasses políticos podem afetar duramente a cadeia global de fornecimento de peças e componentes, em especial, microchips, e isso terá reflexo em todas as partes do mundo, obviamente, também no Brasil.

Por conta disso, a Anfavea emitiu um alerta para o setor automotivo brasileiro diante da escassez de microchips que mais uma vez vem assombrar a indústria automobilística mundial.

Diferente da época pós-pandemia, na qual as empresas do setor de tecnologia estavam vendendo chips para fabricantes de produtos eletrônicos por conta da alta demanda doméstica, agora a questão é a política que impede a exportação de chips a partir da China.

Igor Calvet, presidente-executivo da Anfavea, reuniu-se com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, onde alertou sobre as implicações de uma nova escassez de chips no setor automotivo.

Calvet mencionou que um automóvel emprega atualmente de 3.000 a 5.000 chips devido à complexidade dos veículos que atualmente são produzidos no país, onde sistemas eletrônicos controlam muito mais partes do veículo do que há 10 anos, por exemplo.

Em nota, Calvet disse: “Com 1,3 milhão de empregos em jogo em toda a cadeia automotiva, é fundamental que se busque uma solução em um momento já desafiador, marcado por altos juros e desaquecimento da demanda. A urgência é evidente, e a mobilização se faz necessária para evitar um colapso na indústria.”

Se uma nova escassez de chips afetar a indústria automotiva mundial, ou pelo menos no ocidente, as montadoras terão enormes problemas com a cadência e poderão até recorrer à fabricação de veículos incompletos.

Trata-se de um enorme transtorno para as empresas e também para os funcionários, que estarão sujeitos a ficar semanas ou até meses em layoff por conta da suspensão da produção. Isso sem contar a simplificação perigosa de alguns modelos, que perderão tecnologias.

[Fonte: Auto Data]

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Escrito por

Ricardo de Oliveira

Com experiência de 29 anos na área automotiva, há 18 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz testes e avaliações. Suas redes sociais: Instagram, Facebook

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