
Depois de enfrentar um prejuízo bilionário com sua estratégia de eletrificação, a General Motors se prepara para uma virada de resultados em 2026.
A montadora norte-americana anunciou que espera lucros entre US$ 10,3 bilhões e US$ 11,7 bilhões no próximo ano, puxados principalmente por suas picapes e SUVs a combustão, veículos com margem de lucro elevada e forte demanda nos Estados Unidos.
A mudança de foco animou os investidores: as ações da empresa subiram cerca de 8% após o anúncio, impulsionadas também pela decisão de recomprar até US$ 6 bilhões em ações próprias.
Além disso, a GM vai aumentar seu dividendo trimestral em 20%, passando a pagar US$ 0,18 por ação ordinária.
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O contraste com os resultados recentes é marcante: em 2025, o lucro caiu para US$ 2,7 bilhões, contra US$ 6 bilhões em 2024, muito por conta de uma baixa contábil de US$ 7,6 bilhões relacionada à desaceleração nos investimentos em carros elétricos.
Esse ajuste incluiu a desvalorização de fábricas e ativos ligados à produção de EVs, reflexo direto da redução nos incentivos ao consumidor promovida pelo governo dos EUA.
O fim do crédito fiscal de US$ 7.500 para compradores de elétricos, aprovado pelo Congresso e pelo presidente Donald Trump, reduziu drasticamente o apelo desses veículos no mercado americano.
A GM, no entanto, continuará produzindo carros elétricos, e estima que as perdas com esses modelos em 2026 serão entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão menores do que neste ano.
Durante uma teleconferência, a CEO Mary Barra destacou que o ambiente regulatório atual nos EUA está mais alinhado com o comportamento do consumidor, o que favorece a produção interna de veículos a combustão.
O cenário, porém, segue desafiador. Em 2025, as receitas da montadora somaram US$ 185 bilhões, uma queda de 1% na comparação anual, enquanto as vendas globais caíram cerca de 5%, para 3,8 milhões de veículos.
Além disso, as tarifas impostas pelo governo Trump sobre carros e peças automotivas custaram à GM US$ 3,1 bilhões no ano passado, embora a empresa tenha conseguido compensar 40% desse impacto ao transferir parte da produção para os Estados Unidos.
Para 2026, a expectativa é que o impacto das tarifas fique entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões.
Em paralelo, a montadora também revelou planos para lançar, em 2028, uma nova versão de seu sistema semiautônomo Super Cruise, que permitirá aos motoristas tirar os olhos da estrada em rodovias.
O novo sistema vai usar câmeras, radares e sensores a laser, diferentemente da Tesla, que aposta apenas em câmeras em sua tecnologia Full Self Driving.
A aposta da GM em uma abordagem mais robusta e segura visa competir diretamente com a Tesla em um dos segmentos mais disputados da indústria automotiva.
Após o encerramento da divisão Cruise — que desenvolvia carros totalmente autônomos e foi descontinuada em 2024 após um acidente grave em São Francisco —, a empresa ajusta sua rota tecnológica com foco em sistemas mais viáveis e comercialmente seguros.
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