
O Citroën Aircross 2026 chegou com mudanças pontuais no acabamento e nos detalhes para tentar deixar de ser tão “baixo custo” e, com isso, adicionou a versão pseudo-aventureira XTR.
Com sete lugares, o SUV da marca parisiense reflete bem sua proposta “Dacia” atribuída pela Stellantis mais aqui do que lá na Europa. Ruim? Depende do ponto de vista…
O Aircross XTR, que custa R$ 129.990, pelo menos é honesto em mostrar que está anos-luz dos clássicos do duplo chevron, tão ousados e fora da curva que ninguém nunca os imitou.
Aqui, com motor 1.0 Turbo de até 130 cavalos e CVT, o Aircross XTR ousa mesmo em peitar um player forte do mercado, mas sua maior façanha é exatamente ser alternativa para quem quer sete lugares.
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Pouco aventureiro
O Aircross XTR 2026 surge com um visual retocado, adicionando os elementos da versão, uma vez que o SUV da marca francesa é um produto recente e ainda não está perto de sua atualização de meia-vida.
Assim, os apliques laterais e o badge XTR ajudam, bem como a pintura em dois tons com teto preto, não tão destacada na pintura azul, além de pneus de uso misto pouco ruidosos.
Visualmente, o Aircross é um projeto bem resolvido esteticamente, ainda que sua proposta de baixo custo fique evidente em faróis e lanternas simples, mesmo com as barras de LED frontais.
Com suspensão alta, passa a impressão de robustez e, no geral, parece menor do que realmente é, enquanto as rodas de liga leve de quatro raios e pneus altos elevam o Aircross ao patamar de um SUV aparente.

Dentro, o ambiente escurecido pela versão XTR agrada, assim como a padronagem exclusiva dos bancos, com o do motorista tendo apoio de braço retrátil.
O que de fato melhorou foi a disposição dos comandos dos vidros, parte da atualização, agora com botões em todas as portas. O painel com revestimento em couro valorizou o SUV simplificado demais pela Citroën.
Da mesma forma, o volante recebeu atenção, assim como a presença do ar-condicionado digital, tendo ainda como destaques o cluster digital de 7 polegadas, bem resolvido, além da multimídia de 10 polegadas.

Esta é até mais simples que a instrumentação, tendo câmera de ré e a projeção sem fio padrão para dispositivos Android e Apple, além de hotspot Wi-Fi.
Mas, o Aircross XTR não esconde a proposta de redução de despesas, com coluna de direção ajustável só em altura, chave física na partida e a ausência do hoje quase obrigatório carregador indutivo.
O acabamento geral denuncia essa proposta com muitos plásticos, para-sóis só com espelhos e nada de luzes de leitura. Pelo menos, no Aircross7, nome da versão mais familiar, tem um extensor de ar no teto para quem vai atrás.

Falando nisso, o espaço é limitado a adultos pequenos e crianças, sendo removíveis facilmente e, no veículo avaliado, ainda com as bags de proteção. O acesso é suficiente e o porta-malas, com 50 litros somente, vai para 498 litros sem estes assentos extras.
Beberrão urbano
O Citroën Aircross XTR 2026 tem um bom desempenho com seu motor GSE 1.0 Turbo de três cilindros com injeção direta flex e tudo mais, além de transmissão CVT que simula sete marchas.
Com 125 cavalos na gasolina e 130 cavalos no etanol, ambos a 5.750 rpm, bem como 20,4 kgfm a 1.700 rpm nos dois combustíveis, o GSE dá e sobra no Aircross XTR.

O propulsor consegue tornar o SUV de 4,32 m de comprimento e 1.272 kg num carro ágil, mesmo com a calibração sendo focada na necessidade de se reduzir o consumo, especialmente na cidade.
Assim, mesmo com o CVT deslizando mais e o GSE sendo polido para ficar menos nervoso, o Aircross XTR responde bem ao acelerador e garante a sensação de que o SUV do duplo chevron é mais leve que a realidade.
No modo Sport, a calibração libera o GSE para agir mais livremente e se consegue boa performance, com o Aircross XTR indo de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos e com final longa de 197 km/h.

Isso mostra como o GSE dá e sobra no SUV barato da Stellantis, que poderia ser bem mais rápido e menos veloz numa aplicação mais esportiva, mas não seria o recomendável e veremos o motivo…
Na cidade, o consumo é alto, como em qualquer carro da Stellantis com esse motor GSE, fazendo 9,7 km/l na gasolina, menos que o do Inmetro. Isso foi melhor que o resultado anterior, acredite.
Já na estrada, ele foi mais frugal que o anterior, com 17,9 km/l a 80 km/h, 15,1 km/l a 100 km/h e 11,3 km/l a 120 km/h. Menos mal, mas ainda longe do ideal. Ainda falta um Start-Stop na cidade, embora seja duvidosa sua eficácia nesse caso.

Rodando a 2.000 rpm a 110 km/h, o Aircross XTR consegue bom resultado em conforto na estrada, ainda mais com piloto automático e apoio de braço para o condutor.
Com direção bem leve, o SUV tem freios medianos e sua suspensão elevada tem prós e contras evidentes. Os 233 mm de altura livre do solo são bem-vindos, ainda mais em cidades com lombadas e rampas esculachadas.
Em ruas com crateras lunares e costelas de vaca do Pleistoceno (se é que existiu tal espécie), o Aircross XTR passa batido, assim como em vias com pavimento ruim ou sem nenhum.
A calibração é bem macia, tanto que frenagens fortes abaixam a frente a erguem quando o carro parar. Figurativamente, o Aircross XTR navega sobre seus largos pneus 215/60 R17, balança facilmente a qualquer grande oscilação.

Dessa forma, ele “filtra” esse monte de tranqueiras viárias que alguns chamam de ruas, convertendo assim o SUV da Citroën no carro ideal para cidades carentes de boas vias.
Mesmo assim, parte das irregularidades é ouvida na cabine, embora com passageiro, o banco dianteiro tenha parado de fazer barulho com suas molas como num sofá velho…
Do outro lado, quanto mais macia, menos estável. Assim, o Aircross XTR não é o melhor para fazer curvas fechadas ou desvios rápidos de trajetória sem alguma precaução.

Ganha-se por um lado, perde-se por outro, mas como um carro comportado, o Aircross XTR vai bem ao dirigir, faltando somente assistência ADAS e, na segurança, airbags de cortina, já que os demais estão lá.
Mais abaixo
O Aircross XTR 2026 custa R$ 129.990, um preço melhor que o de seu rival natural. Com uma proposta de ser mais atraente que o comum, ele acaba saindo mais barato que a Chevrolet Spin LT, por R$ 133.690.
Como a minivan rival, promovida à SUV, precisa mostrar que é mais consistente e passar a imagem de ser um produto melhor, ela acaba mais cara mesmo, ainda mais focando em segurança.

Todavia, o Aircross sempre foi mais honesto e não esconde ficar numa posição mais abaixo. Assim, fica evidente a menor atenção dada ao produto em acabamento, apesar do motor.
Para manter o atual patamar, mais itens seriam interessantes, como alguns sistemas de ADAS e melhora na segurança passiva, mas a Stellantis trabalha com a regra debaixo do braço…
Então, como a romena Dacia, a Citroën no Brasil trabalha com o mínimo, mesmo que a proposta do produto seja ótima, nesse caso, de um SUV de sete lugares.
Infelizmente, esse é o preço a se pagar e as vendas refletem isso.
Vale? Com um bom desconto, até que sim.
Citroën Aircross XTR 2026 – Galeria de fotos
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