
Num mercado cada vez mais competitivo entre “SUVs” compactos, o Citroën Basalt Dark Edition surge como um ponto fora da curva: estilo ousado, visual com detalhes esportivos e preço abaixo dos rivais diretos.
Mas será que ele entrega algo além da aparência?
Mesmo posicionado como topo de linha, o Basalt Dark Edition custa atualmente R$ 120.890 com a cor Cinza Sting Gray e teto preto.
Este é um valor promocional apresentado no site da marca, que inclui um desconto de R$ 10 mil em relação ao preço cheio.
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Visual externo e diferenças no interior
Entre os principais atrativos, o visual diferenciado chama atenção.
Linhas cupê, detalhes em vermelho André Red, rodas pretas de 16 polegadas e aerofólio traseiro exclusivo criam uma identidade única, ainda rara entre SUVs de entrada.
A pegada escurecida é acompanhada por acabamentos melhores que o padrão da marca.

Há tecidos mais agradáveis no apoio de braço dianteiro e revestimentos sintéticos com costuras vermelhas no painel, volante e bancos.
A cabine tem atmosfera mais refinada, embora ainda marcada pelo uso abundante de plásticos rígidos.
O teto preto e a faixa estofada no painel ajudam a disfarçar a simplicidade, reforçando uma imagem mais sofisticada.

Ótimo espaço e aquela ergonomia ainda ruim
O espaço interno surpreende. Atrás, mesmo adultos com mais de 1,80 m encontram conforto para pernas e cabeça.
O entre-eixos de 2,64 metros colabora para isso, e o porta-malas de 490 litros está entre os maiores da categoria.
No banco do motorista, a ergonomia ainda deixa a desejar.

A posição de dirigir é alta e o volante, sem ajuste de profundidade, dificulta encontrar o encaixe ideal. Além disso, alguns comandos ficam mal posicionados no painel.
A central multimídia flutuante de 10,25” tem resposta rápida e conectividade com Android Auto e Apple CarPlay.
A moldura preta que se estende até as saídas de ar pode parecer mal integrada ao painel, mas o uso no dia a dia é satisfatório.

O painel digital de 7” mostra informações básicas com clareza. Há porta USB tipo A na frente e duas USB-C na traseira, além de tomada 12V.
Um carregador por indução pode ser adquirido como acessório.



Motor que sobra
No conjunto mecânico, nenhuma novidade: o motor 1.0 turbo de três cilindros da Stellantis entrega até 130 cv e 20,4 kgfm de torque. O câmbio CVT simula sete marchas e casa bem com o motor.
Com apenas 1.190 kg, o desempenho do Basalt é animador para a proposta. Não chega a ser tão divertido quanto no C3 You, mas está quase lá.
A entrega de torque em baixa rotação permite boas retomadas e agilidade no trânsito urbano, mesmo com o carro cheio.

A suspensão tem acerto que equilibra conforto e estabilidade. Macia o suficiente para absorver buracos e valetas, mas firme para manter o controle em curvas e trechos sinuosos.
Na prática, o Basalt Dark Edition é o mais equilibrado da família C-Cubed.
Ele evita os exageros do C3 e do Aircross e entrega um comportamento mais maduro e agradável ao volante.

Falta de isolamento acústico e segurança zero estrelas
O isolamento acústico é um dos pontos fracos. O motor vibra e faz barulho ao ser exigido, o que denuncia uma contenção de custos no isolamento da cabine e nos coxins do motor.
Em consumo, o SUV-cupê vai bem. Na nossa avaliação com gasolina, alcançou média de 11,2 km/l em trajeto misto. O Inmetro aponta 12,1 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada.
O pacote de segurança é modesto. Há apenas quatro airbags, controle de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, câmera de ré e sensores traseiros.

Faltam airbags laterais de cortina e qualquer recurso de condução semiautônoma.
No Latin NCAP, o modelo zerou, o que indica que para o comprador mais consciente deste aspecto, ele nem vai ser considerado.

Equipamentos
Entre os equipamentos, destaque para o ar-condicionado digital, bancos com apoio de cabeça ajustável, apoio de braço central, direção elétrica, faróis de neblina, DRL em LED e chave presencial.
Não há teto solar nem faróis full LED, mesmo como opcionais.
A proposta da Citroën com o Basalt Dark Edition é clara: oferecer tudo em uma única versão, com estilo chamativo, sem depender de pacotes opcionais.

Essa estratégia pode agradar quem não quer perder tempo configurando o carro.
Na comparação com rivais como Pulse, Fastback, Kardian e até o novo Tera, o Basalt entrega mais espaço, visual mais exclusivo e desempenho semelhante — mas fica atrás em segurança e acabamento geral.
Ótimo custo/benefício
Por R$ 120 mil, seu custo-benefício é inegável.
Pelo mesmo valor, só é possível levar hatches compactos mais básicos ou SUVs com motor aspirado e menos conteúdo. O Basalt, nesse sentido, é honesto.

Ele não tenta ser o mais tecnológico nem o mais sofisticado, mas entrega um bom pacote completo, ideal para quem quer entrar no mundo dos SUVs com visual moderno, motor turbo e espaço de sobra.
Seu maior mérito é equilibrar o visual chamativo com atributos práticos, como porta-malas generoso, motor eficiente e lista de equipamentos bem recheada. E isso, no cenário atual, é mais raro do que parece.
Apesar das falhas pontuais em ergonomia e acabamento, o Basalt Dark Edition prova que a Citroën está aprendendo com os erros e, finalmente, entregando um produto competitivo no segmento que mais cresce no Brasil.
Se a promoção de R$ 10 mil for mantida, ele se consolida como uma das melhores compras até R$ 120 mil no mercado brasileiro em 2026. Caso contrário, entra em terreno mais perigoso, competindo de igual para igual com rivais mais refinados.

No fim, o Basalt Dark Edition é aquele típico caso de carro que surpreende positivamente, especialmente quando a expectativa não está lá em cima.
E isso já é meio caminho andado para conquistar o consumidor brasileiro.
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