
A Toro Ultra 2026 escancara a nova fase da picape da Fiat, que deixou de flertar com o uso pesado e off-road para abraçar de vez a vida urbana, mesmo custando R$ 200.990.
Se antes a configuração Ultra era sinônimo de motor turbodiesel e tração 4×4, agora a proposta é outra, com o já conhecido 1.3 T270 turboflex na dianteira, câmbio automático de seis marchas e foco quase total no asfalto.
Visualmente, a picape mudou mais do que parece à primeira vista, adotando a nova identidade mais reta e séria da marca, com faróis full LED, DRLs “pixelizados” e para-choque cheio de recortes.
O resultado chama atenção e conversa com o que a Fiat vem fazendo em Pulse e Fastback, embora o excesso de ângulos e cortes abruptos possa passar uma certa sensação de carro chinês para alguns olhares.
Veja também

Na traseira, as lanternas em LED redesenhadas e a tampa com vincos mais marcados rejuvenescem o conjunto, enquanto o santantônio e as barras de teto ajudam a reforçar a pegada de picape lifestyle.
As rodas de 18 polegadas com acabamento escurecido completam o pacote visual mais agressivo, mas o desenho escolhido dá aquela impressão de “calota de luxo”, algo que certamente vai dividir opiniões.
Tampa diferenciada
O grande diferencial de carroceria da Ultra continua sendo a capota rígida de fibra de vidro, que transforma a caçamba de 937 litros em um verdadeiro porta-malas gigante e protegido.

Para quem usa a picape como carro de família, essa tampa é um presente, mas ela limita bastante o transporte de cargas altas, exige esforço para remoção e não é perfeitamente à prova d’água.
Não por acaso, alguns exemplares avaliados trazem uma bolsa isolante como acessório, denunciando que, sem ela, água e poeira podem incomodar quem espera estanqueidade de sedã.

Interior escuro
Por dentro, o ambiente é bem escurecido e tenta criar uma aura de esportividade, com bancos em couro sintético personalizados com o nome Ultra, detalhes em cinza e costuras vermelhas.
A posição de dirigir é alta, típica de picape, com banco do motorista com ajustes elétricos e boa amplitude de regulagens, enquanto o passageiro conta com comandos manuais mais simples.
Na frente, espaço e conforto agradam facilmente, mas o banco traseiro mantém a velha característica da Toro de fazer os ocupantes viajarem com joelhos mais altos que o quadril.

É o efeito do piso elevado e do assento baixo, que prejudica um pouco a ergonomia dos passageiros de trás, sobretudo adultos mais altos, apesar do apoio de braço central e tomadas USB.
Faltou a Fiat aproveitar a reestilização para instalar saídas de ar-condicionado traseiras, algo cada vez mais esperado num veículo que custa por volta de R$ 200 mil.

Painel com tela em pé
O painel reúne a central multimídia vertical de 10,1 polegadas, com espelhamento sem fio, internet a bordo e navegação nativa, além do cluster digital de 7 polegadas com boa legibilidade.
Há um novo conjunto de teclas físicas sob a tela, facilitando o acesso rápido aos comandos principais, e o aplique Ultra no lado do passageiro reforça o clima de versão especial.

O acabamento segue abusando de plásticos rígidos, porém a montagem é correta, os encaixes são precisos e o visual geral consegue passar a sensação de produto bem cuidado.
Entre as novidades mais importantes da linha 2026, o freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold finalmente chegou a toda a gama T270, deixando o uso diário bem mais prático.
O pacote de comodidade inclui ainda carregador de celular por indução com ventilação, chave presencial, partida por botão, partida remota e retrovisores com rebatimento elétrico.

Na segurança, faltam alguns itens
Na parte de segurança, a Ultra traz 6 airbags, controles de estabilidade e tração, farol alto automático, câmera de ré e agora freios a disco nas quatro rodas, um avanço muito pedido.
Os sistemas de assistência à condução contemplam alerta de colisão com frenagem autônoma de emergência e assistente de permanência em faixa, agora com atuação menos intrusiva que antes.
Ainda assim, num carro de R$ 200.990, a ausência de piloto automático adaptativo e monitor de ponto cego pesa, principalmente quando rivais diretas já oferecem esses recursos.

Motor continua bom, apesar de ter perdido potência
Debaixo do capô, o 1.3 T270 turboflex entrega 176 cv e 27,5 kgfm de torque, números que caíram em potência na comparação com a fase anterior por conta do Proconve L8.
A boa notícia é que o torque continua farto, ainda que chegue um pouco mais tarde, por volta dos 2.000 rpm, o que deixa o conjunto menos cheio em baixas rotações que antes.
No uso real, sente-se um pequeno turbo lag nas saídas e retomadas em baixa, mas, passada essa primeira hesitação, o motor enche rápido e empurra bem a picape pesada.

O câmbio automático Aisin de seis marchas tem calibração suave e relações longas, às vezes dando até a impressão de um CVT de tão progressivas que são as trocas.
No modo Sport, a Toro sobe mais giro, segura marchas por mais tempo e fica visivelmente mais disposta, algo que ajuda bastante nas ultrapassagens e subidas de serra.
Em termos de números, a Ultra continua longe de ser lenta, acelerando de 0 a 100 km/h em pouco mais de 10 segundos, dentro do que se espera de uma picape média monobloco.

O problema aparece quando o assunto é consumo, já que os mais de 1.700 kg cobram seu preço no posto, especialmente abastecida com etanol, onde as médias dificilmente empolgam.
Com gasolina, é possível ver algo em torno de 9 km/l na cidade e entre 11 e 13 km/l na estrada, dependendo do ritmo, mas qualquer abuso no acelerador derruba rapidamente esses números.
A arquitetura monobloco e a suspensão independente nas quatro rodas, com multilink atrás, garantem um comportamento muito mais próximo de um SUV médio do que de uma picape tradicional.

A Toro filtra bem buracos e irregularidades, mantém a carroceria controlada em curvas e transmite segurança em desvios rápidos, sem quicar ou pular como rivais de eixo rígido.
A direção elétrica é leve em manobras e firma em velocidade, embora exija várias voltas de batente a batente, o que pode cansar em rotatórias e estacionamentos apertados.
Os novos freios a disco traseiros melhoraram a sensação de controle em descidas longas, reduzindo o risco de fadiga, e a atuação do ABS é bem ajustada no piso brasileiro.

Mesmo sem tração 4×4, a grande altura do solo e os bons ângulos de ataque e saída permitem encarar estradas de terra, gramados e rampas com relativa tranquilidade.
Resumindo
A verdade, porém, é que a Toro Ultra flex virou uma picape essencialmente urbana, que roda muito mais em avenidas e rodovias do que em trilhas, algo coerente com seu pacote de pneus e equipamentos.
Com o preço atual de R$ 200.990, ela se posiciona abaixo de Ford Maverick e Ram Rampage equivalentes, mas se aproxima perigosamente de SUVs médios bem equipados.

Para quem busca a robustez visual de uma picape, a praticidade de uma caçamba coberta como porta-malas e o conforto de rodagem típico de SUV, a Ultra 2026 segue fazendo sentido.
Já o consumidor que precisa realmente de capacidade off-road, maior eficiência em consumo ou vai rodar muito quilômetro por ano ainda encontrará melhor negócio nas versões usadas a diesel da própria Toro.
No fim das contas, a Fiat Toro Ultra 2026 não é uma involução, e sim uma mudança de foco: menos terra e lama, mais asfalto, tecnologia e imagem, desde que você aceite pagar por isso.
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










