
Enquanto o mercado inteiro se curva aos híbridos como solução temporária para a transição elétrica, a General Motors segue na contramão — e, surpreendentemente, colhe bons resultados.
A montadora encerrou 2025 com seu melhor desempenho em uma década em participação de mercado, mesmo com um prejuízo de R$ 19,2 bilhões (US$ 3,1 bilhões) causado por tarifas.
O curioso é que seu portfólio praticamente ignora os híbridos: a GM ou vende carros a combustão ou elétricos, com pouquíssima coisa no meio.
Tecnicamente, existem dois híbridos no catálogo, ambos na linha Corvette — o E-Ray e o extremo ZR1X.
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Nenhum deles é voltado ao consumo ou ao grande público. Ainda assim, Mary Barra, CEO da GM, afirmou com confiança que a empresa está no caminho certo.
“Nos últimos quatro anos, mesmo com outros apostando em híbridos, seguimos ganhando mercado”, disse Barra a investidores durante a conferência de resultados do quarto trimestre.
E os números parecem comprovar. Em 2025, o Chevrolet Equinox foi o grande destaque da marca com 274.356 unidades vendidas, alta de 32% frente ao ano anterior.
O Trax, Traverse e Tahoe também cresceram, e o Buick Enclave disparou 50%.
Mesmo sem um concorrente direto para o Toyota Camry ou um híbrido de entrada, a GM sustentou bons números nos segmentos que domina: SUVs e crossovers.
E mesmo entre os elétricos, os resultados foram relevantes. A GM vendeu quase 100 mil EVs em 2025, com destaque para o Equinox EV, que sozinho respondeu por 57.945 unidades — o dobro de 2024.
No entanto, o cenário já mostra sinais de mudança.
As vendas de elétricos da GM desabaram no último trimestre de 2025. O Equinox EV caiu mais de 70% no período, o Blazer EV encolheu 77% e o Cadillac Lyriq perdeu quase metade do volume.
Mesmo assim, Barra não deu sinais de mudança de rota.
“Estamos segmentando onde há demanda por híbridos, mas nosso foco é manter um portfólio equilibrado entre combustão e elétricos. Não vamos entrar em qualquer segmento só por seguir uma tendência.”
Ela reforçou que a GM está posicionada para o futuro, com uma plataforma dedicada para elétricos e uma linha forte de motores a combustão.
O objetivo agora é reduzir custos, expandir produção nos EUA e acompanhar a evolução das regras e incentivos federais, que mudaram drasticamente no fim de 2025.
Para quem espera um Chevrolet híbrido acessível ou uma Silverado com autonomia estendida, a realidade pode ser dura.
A GM parece mais interessada em cortar gastos e preparar o terreno para um crescimento mais lento — porém alinhado com sua visão de longo prazo.
“Sabemos que quem adota um EV raramente volta ao carro a combustão. Vamos seguir executando nosso plano”, concluiu Barra.
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