
Na disputa para descobrir qual será a próxima grande virada dos veículos elétricos, a China começa a transformar promessas em protótipos rodando de fato nas ruas.
É nesse cenário que a Gotion High Tech, parceira estratégica da Volkswagen, deu o passo seguinte rumo à bateria totalmente sólida capaz de empurrar um EV por cerca de 1.000 km entre recargas.
A gigante alemã comprou em 2020 algo em torno de € 1 bilhão (cerca de R$ 6,1 bilhões) em participação na Gotion, valor equivalente a US$ 1,2 bilhão (aproximadamente R$ 6,2 bilhões).
Com 26% das ações, a Volks virou o maior acionista da fornecedora chinesa, de onde espera receber desde células LFP convencionais até tecnologias de ponta, como baterias sólidas para VW e Audi.
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No ano passado, a Gotion havia inaugurado uma linha-piloto de 0,2 GWh para baterias sólidas, atingindo rendimento de 90% e mostrando que a tecnologia já cabia em escala industrial inicial.
Agora, a empresa diz ter “basicamente concluído” o projeto de uma nova linha de 2 GWh para o sistema GEMSTONE, avançando da fase de testes de processo para a preparação da produção em massa.
Segundo a companhia, toda a linha foi desenvolvida internamente, com equipamentos de origem totalmente doméstica e mais de 30 patentes relacionadas ao desenho e à operação da fábrica.
Em apresentação feita no verão passado, a Gotion afirmou que a versão 2025 de sua bateria sólida obteve melhoria de 60% na condutividade iônica do eletrólito sulfeto.
O mesmo pacote teria gerado aumento de 150% na capacidade das células e queda de 90% na pressão de pré-empilhamento, fatores importantes para estabilidade e vida útil em uso automotivo.
Os dados mais recentes apontam para densidade de energia de 350 Wh/kg e capacidade de 70 Ah por célula, valores que já estão sendo validados em testes instalados em veículos reais.
Com esse nível de eficiência, a Gotion fala em autonomia de 1.000 km pelo ciclo chinês CLTC, combinada com robustez em temperaturas extremas, de –40 °C até 80 °C, sem perda crítica de desempenho.
Paralelamente, a empresa também desenvolve a bateria quase sólida G-Yuan, que promete 300 Wh/kg e, na prática, também mais de 1.000 km de alcance em alguns cenários de uso.
Os avanços da Gotion se somam aos esforços de outros gigantes chineses como BYD e CATL, que trabalham tanto em baterias sólidas quanto em alternativas como sódio-íon para reduzir custo e dependência de matérias-primas.
Especialistas lembram que o rótulo de “santo graal” da bateria sólida não significa solução única: sofisticação química precisa vir acompanhada de segurança, preço competitivo e cadeias produtivas maduras.
Ainda assim, a tendência é clara: várias montadoras chinesas já iniciaram ou planejam iniciar testes em pequenos lotes de carros com baterias sólidas até o fim de 2026.
A maioria dos planos fala em produção em massa mais ampla perto de 2030, horizonte no qual a Volkswagen, com a Gotion ao lado, espera estar pronta para oferecer EVs com autonomia de estrada bem superior ao padrão atual.
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