
O entusiasmo inicial com o primeiro modelo elétrico da Rolls-Royce parece ter ficado no passado — e os números de 2025 confirmam a queda acentuada do interesse por esse tipo de veículo, mesmo entre os bilionários.
Lançado no fim de 2023 com grande alarde, o Spectre rapidamente virou objeto de desejo para a clientela ultra-rica da marca britânica, seduzida pela proposta de silêncio absoluto e luxo sobre quatro rodas, sem o tradicional V12.
Mas dois anos depois, as vendas do cupê elétrico caíram 45% nos três primeiros trimestres de 2025 em relação ao mesmo período de 2024.
A fatia do Spectre nas vendas totais da marca despencou de um terço em 2024 para menos de 20% neste ano, segundo dados da BMW Group.
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Enquanto o restante da linha Rolls-Royce cresceu modestamente, o Spectre não conseguiu manter o fôlego.

A queda acompanha uma tendência global: montadoras de luxo estão recuando nas promessas de eletrificação total, à medida que a demanda por EVs esfria em diversas regiões, especialmente Europa e China.
Em entrevista na sede da marca em Goodwood, o CEO Chris Brownridge afirmou que o compromisso com o elétrico permanece, mas será guiado pelo desejo dos clientes.
“Lançaremos mais modelos elétricos, mas eles serão Rolls-Royce acima de tudo”, disse. “Onde houver demanda por V12, continuaremos a produzir.”
O recuo marca uma mudança importante no discurso da empresa, que até pouco tempo anunciava um futuro 100% elétrico até 2030.
A empresa aposta agora na personalização extrema como diferencial competitivo.

Brownridge destacou a crescente demanda por atendimento exclusivo e revelou planos para expandir os escritórios privados da marca pelo mundo.
Na fábrica de Goodwood, atualmente em ampliação, clientes dedicam meses ao processo de configuração de seus carros — alguns inspirados em rãs vistas na floresta amazônica ou com constelações desenhadas no teto.
Esse nível de detalhamento elevou o preço médio dos modelos para mais de £500 mil (cerca de R$ 3,6 milhões), sendo que mais de 20 unidades vendidas em 2024 ultrapassaram £1 milhão.
Mesmo com o declínio do Spectre, a marca conseguiu sustentar seus lucros com margens generosas e clientes fiéis, especialmente nos Estados Unidos, que seguem como principal mercado.
A China, por outro lado, registrou queda acentuada, afetando também outros fabricantes de alto luxo.
Apesar da rejeição parcial ao Spectre, Brownridge acredita que a proposta se manterá relevante para um público específico.
“Queríamos provar que, quando o mundo estiver pronto para ser elétrico, a Rolls-Royce também estará — e com o melhor carro possível”, afirmou.
Especialistas apontam que o tipo de condução oferecido por EVs ainda é atrativo para o segmento de limusines, pela suavidade e torque instantâneo.
Mas o formato do Spectre, um cupê de duas portas, parece limitar seu apelo frente a SUVs como o Cullinan — mais versáteis e procurados mesmo entre os mais endinheirados.
A Rolls-Royce não pretende oferecer versões híbridas e mantém a linha de produção flexível, capaz de montar veículos a combustão e elétricos lado a lado.
Por ora, a marca ajusta suas ambições ao gosto de quem, afinal, paga por cada unidade feita sob medida: os bilionários. E muitos deles, ao que tudo indica, ainda preferem ouvir o ronco do V12.
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