
Quando o discurso do “tudo elétrico” perde força e a realidade do desejo do consumidor volta a pesar, o V8 reaparece como símbolo de identidade — e também de pressão política.
Bill Ford, presidente executivo da Ford, afirmou que motores V8 continuam “muito importantes” para a marca, afastando o temor de que a empresa abandone os oito cilindros.
A declaração veio durante uma conversa com jornalistas australianos no GP da Austrália, etapa de abertura da temporada da Fórmula 1, e foi repercutida pelo site Drive.
Além de defender o V8, Ford alertou que a regulação excessiva pode criar uma “desconexão” com os clientes, caso as regras ignorem a demanda que ainda é forte.
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Ele disse que os V8 “são muito importantes” e que a Ford sente que “faz isso muito bem”, mas reconheceu que o futuro depende do quanto as normas globais vão apertar.
O recado, porém, foi direto: se as exigências ficarem rígidas demais, elas saem do compasso do que os consumidores estão pedindo, e isso seria perigoso para governos.
Bill Ford, que também se descreve como fã de V8 e de câmbio manual, sugeriu ainda que, se as regras não apertarem mais, a Ford seguirá trabalhando no que faz “muito, muito bem”.
A fala ganha peso quando se olha para a reputação histórica da marca, que produziu seu primeiro V8 flathead em 1932 e construiu uma imagem ligada a esse tipo de motor.
Hoje, a prateleira de V8 da Ford vai do 5,0 litros Coyote usado no Mustang e na F-150 topo de linha até os 6,8 litros e 7,3 litros Godzilla da família Super Duty.
Ao mesmo tempo, regulações de emissões mais apertadas na Europa e na América do Norte ajudam a explicar por que o EcoBoost V6 aparece com mais frequência em vários modelos.
Mesmo assim, o contexto de mercado começa a mudar, com demanda por EVs desacelerando e a abertura de espaço para motores maiores em alguns cenários regulatórios.
O texto cita que a BMW lançou a nova geração do M5 com V8 biturbo 4,4 litros apoiado por sistema híbrido plug-in, mostrando um caminho para manter desempenho.
Também aparece a especulação de que a Stellantis poderia ressuscitar o HEMI V8 para posicionar acima do seis-em-linha Hurricane na linha do Dodge Charger.
Até a Ineos deixou escapar que um Grenadier com V8 pode estar no horizonte para enfrentar o Mercedes-AMG G63, que segue à venda com V8 biturbo 4,0 litros.
Diante desse cenário, não soa absurdo imaginar a Ford usando tecnologia PHEV para manter seus V8 vivos, ainda mais por já ter experiência com Ranger e Escape híbridos plug-in.
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