BMW culpa a China pelo exagero de suas grades frontais: “Querem ainda maiores”

bmw xm (1)
bmw xm (1)

A era das grades gigantescas da BMW — apelidadas de “super rins” pelos fãs e críticos — parece finalmente estar chegando ao fim.

Com a chegada da nova geração de modelos elétricos da marca, a linha Neue Klasse, a montadora alemã dá sinais de que pretende suavizar um dos elementos mais polêmicos do seu design recente.

A mudança, no entanto, não vem acompanhada de um pedido de desculpas.

Pelo contrário: segundo Adrian van Hooydonk, diretor de design do BMW Group, a empresa não vê problema nas escolhas que fez até aqui.

Durante uma conversa com jornalistas no lançamento do novo SUV iX3, o executivo foi direto ao ser questionado se as grades exageradas foram longe demais.

SUV azul da BMW estacionado em uma estrada, com montanhas e cactos ao fundo
SUV azul da BMW fotografado em uma estrada cercada por vegetação desértica e cactos.

“Depende de onde você está no mundo. Em certos lugares, como a China, elas ainda são muito bem-vindas”, afirmou.

Van Hooydonk explicou que a BMW acompanhou todos os comentários negativos que pipocaram nos últimos anos — especialmente após o lançamento de modelos como o M3, Série 7 e o controverso XM —, mas não viu reflexo nas vendas.

“Na verdade, aconteceu o oposto. Nunca vimos impacto negativo nos números”, disse.

A resposta pode soar desconcertante para quem torceu o nariz (literalmente) para os super rins da marca, especialmente no Ocidente.

bmw 760i desvalorizacao (1)
bmw 760i desvalorizacao (1)

Na internet, o design frontal dos BMWs mais recentes virou meme, alvo de piadas e listas de “piores designs automotivos”. Ainda assim, a empresa jura que os compradores aprovaram — ou, ao menos, não se importaram o suficiente para desistir da compra.

O argumento de que o gosto do consumidor chinês teria influenciado o design global da marca também levanta dúvidas.

Apesar de alguns modelos locais como o Zeekr 009 e SUVs da BYD ostentarem grades chamativas, a tendência dominante tanto na China quanto no Ocidente parece caminhar para linhas mais limpas, elementos de iluminação marcantes e um visual minimalista.

A justificativa, portanto, soa mais como uma tentativa de desviar da crítica do que uma explicação coerente.

bmw serie 5 2010 transformada em 2024 (1)
bmw serie 5 2010 transformada em 2024 (1)

Apesar da defesa enfática do passado recente, van Hooydonk reconhece que a BMW agora pretende dar “um passo maior” em termos de linguagem visual. Segundo ele, o maior risco seria não mudar o suficiente.

E é aí que entra a Neue Klasse: uma nova abordagem de design que, embora ainda mantenha certos elementos marcantes (como para-lamas musculosos e para-choques angulados), busca se distanciar do excesso que marcou os últimos anos.

Para os puristas e fãs da marca, é um alívio.

O novo iX3, por exemplo, já apresenta proporções mais elegantes e uma grade frontal mais comedida, embora ainda distinta. E há grande expectativa em torno do futuro i3 da nova geração — um modelo que pode consolidar essa virada estética.

Se o arrependimento não veio em palavras, ao menos veio em forma de novos traços. E, pelo visto, a BMW está pronta para deixar o meme da grade gigante no passado.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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