
Enquanto Tesla e outras apostam cada vez mais alto na direção autônoma, alguns gigantes alemães escolheram o caminho oposto: simplificar seus sistemas e reduzir a ambição tecnológica.
Um dos casos mais emblemáticos é o sedã de topo da BMW, o Série 7, que no facelift abandonará o sistema de condução autônoma de Nível 3.
A atualização visual, inspirada na linguagem Neue Klasse e prevista para ser revelada em abril, promete linhas mais afiadas e modernas, mas a grande mudança está escondida na eletrônica.
O atual recurso “Personal Pilot L3”, que permitia rodar com olhos fora da estrada em determinadas condições, será substituído por um pacote de assistência de Nível 2 derivado da nova plataforma tecnológica.
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Esse novo conjunto eletrônico aproveita a base estreada no segundo iX3 e mantém grande parte das funções de conveniência, porém sem assumir a responsabilidade total pela condução.
O motivo da mudança é direto e pouco glamouroso: custo, já que o Nível 3 exige sensores LiDAR sofisticados, hardware de computação bem mais potente e validações de segurança extensas.
No Série 7 vendido hoje, a opção de Nível 3 custa cerca de € 6.000 (R$ 36.580), algo em torno de US$ 7.000 (R$ 36.238).
Quando a linha 2027 do Série 7 chegar, o novo pacote de Nível 2 deve partir de cerca de € 1.450 (R$ 8.840), equivalente a aproximadamente US$ 1.700 (R$ 8.800).
Mesmo “rebaixado”, o sistema continua oferecendo condução sem mãos em rodovias, mudanças automáticas de faixa e navegação ponto a ponto em tráfego urbano usando o mapa do próprio carro.
Na prática, a BMW concluiu que isso cobre quase tudo o que os clientes realmente usam, sem o peso de um sistema mais complexo, caro de manter e difícil de explicar ao consumidor.
Ao ficar no Nível 2, a marca também foge de um labirinto regulatório, já que a aprovação de Nível 3 é lenta, específica por mercado e envolve monitoração contínua de frotas.
A estratégia não é isolada: a Mercedes, pioneira na homologação de um sistema de Nível 3 em 2021, também está reforçando soluções avançadas de Nível 2 em novos modelos.
O novo CLA, por exemplo, ganhará um pacote de “Nível 2 Plus Plus” chamado MB.Drive Assist Pro, capaz de conduzir em rodovias e ambiente urbano de forma altamente automatizada.
Esse sistema permanece, tecnicamente, no Nível 2, mas promete ser mais barato que um Nível 3 completo, ao mesmo tempo em que preserva boa parte da experiência de carro “quase autônomo”.
Isso não significa, porém, que a Mercedes desistiu de voos mais altos, já que planos recentes apontam para um futuro Nível 4 no próximo Classe S usando tecnologias da Nvidia.
Do outro lado, a Stellantis decidiu abandonar o desenvolvimento de Nível 3, citando custos elevadíssimos, desafios técnicos e dúvidas sobre como o público reagiria a uma autonomia “meio do caminho”.
O movimento coordenado de grupos como BMW, Mercedes e Stellantis sugere que o Nível 3 pode se tornar um degrau transitório pouco atraente, com a indústria preferindo sofisticar o Nível 2 e, mais à frente, saltar direto para o Nível 4.
No fim, a disputa por carros que dirigem sozinhos continua acirrada, mas a nova matemática da autonomia mostra que, pelo menos por enquanto, menos pode ser mais para as montadoras premium.
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