
Tem carro que compra respeito, e tem carro que compra presença, e nos Estados Unidos o luxo virou uma disputa de tamanho onde a BMW ainda não entrou com força.
O BMW X7 já é enorme, com 5,18 metros de comprimento, três fileiras e um V8 biturbo que entrega 530 cv na versão M60i, mas perto de um Cadillac Escalade ele parece quase comedido.
Isso não é um ataque ao X7, é um retrato do mercado, porque o Escalade transforma a compra em “declaração” e tem algo que a BMW hoje não oferece na mesma escala.
O Escalade foi o veículo de luxo mais vendido do país no ano passado, à frente de modelos mais caros e mais sofisticados, simplesmente porque acerta onde muitos compradores realmente colocam valor.
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Lincoln Navigator e Infiniti QX80 jogam no mesmo tabuleiro, e concessionárias da BMW veem esse dinheiro sair do showroom há anos.
Por isso a tese do X9 existe menos como filosofia de produto e mais como cálculo frio de margem, já que SUVs grandes de luxo costumam render dezenas de milhares por unidade.

Se for bem feito, um X9 precificado no patamar do ALPINA XB7 de hoje, em torno de US$ 142.000 (R$ 746.400), tende a ser o carro de maior margem da BMW nos EUA.
Esse dinheiro, na prática, compra espaço para itens que o X7 “de preço normal” não sustenta com folga, como telas traseiras, áudio Bowers & Wilkins Diamond e suspensão a ar calibrada para rodovias americanas.
Um X9 V8 completo poderia chegar a US$ 180.000 (R$ 946.100), mudando a conversa para um território mais próximo do Range Rover Autobiography do que do Escalade Platinum.
Sete lugares precisariam ser padrão, não opcional, e o V8 teria de estar na entrada, com um híbrido plug-in como complemento e não como escolha escondida no configurador.
Os mercados parecem óbvios, com Estados Unidos e Oriente Médio no topo, onde Cullinan e GLS Maybach vendem bem e a ideia do codinome G74 “Rugged” sugere ambição real de capacidade fora de estrada.
A China é mais incerta por causa do avanço das marcas locais, embora a estratégia de entre-eixos alongado da BMW mostre que ela sabe adaptar produtos quando quer.
Só que existe uma lista de motivos para não fazer, começando pelo “problema” do ALPINA XB7, já que a ALPINA foi incorporada e um X9 acima de US$ 130.000 (R$ 683.300) empurraria o XB7 para ainda mais alto.
O XM também funciona como alerta, porque vendeu de forma aceitável, mas o impacto da recepção e do design polêmico foi maior do que a BMW gostaria de repetir.
Um X9 na faixa de US$ 140.000 (R$ 735.800) ou mais seria o BMW mais visível da América, em todo valet, fila de escola e rodovia, e um erro estético viraria cicatriz longa.
Há ainda a questão de identidade, porque “Sheer Driving Pleasure”, “The Ultimate Driving Machine” e o emblema M sempre colocaram o motorista no centro, enquanto o X9 vende o banco traseiro.
Se a BMW não estiver em paz com isso, o produto vira compromisso, e quem compra um SUV de US$ 150.000 (R$ 788.400) costuma farejar compromisso de longe.
Ainda assim, a necessidade é clara, e Bernd Körber, chefe de Produto da BMW, respondeu “por que não?” quando foi provocado, sugerindo que a ideia já está na mesa.
O ponto decisivo não é se o X9 é possível, e sim se a BMW vai construir a versão honesta, com foco no passageiro, V8 padrão e estilo certeiro, ou se vai hesitar e perder o momento.
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