Bônus zero deixa trabalhadores da Stellantis se sentindo “passados para trás” enquanto colegas da Ford e GM levam até R$ 54 mil para casa

stellantis jeep ram fabrica producao montagem (4)
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Enquanto colegas da Ford e da GM nos Estados Unidos se preparam para receber cheques de participação nos lucros, milhares de trabalhadores da Stellantis no mesmo país foram informados de que, em 2025, o bônus será simplesmente zero.

A notícia acendeu a ira do UAW, já que os acordos de Detroit costumam andar juntos, e ver só uma das três grandes ficar sem nada foi recebido como afronta direta à categoria.

O presidente do sindicato, Shawn Fain, disparou contra a gestão da montadora, dizendo que é “uma vergonha” ver trabalhadores pagarem o preço da “horrível má administração na Stellantis”.

Segundo ele, a empresa desperdiçou dinheiro agradando Wall Street, em vez de reforçar investimentos em fábricas, produtos e principalmente nas pessoas que mantêm a operação de pé.

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O vice-presidente do UAW, Rich Boyer, responsável pelo departamento Stellantis , seguiu na mesma linha, acusando a companhia de priorizar lucro de curto prazo e “arrancar o coração das plantas”.

Para Boyer, o que está acontecendo é um exemplo clássico de ganância corporativa, algo que os antigos funcionários da Chrysler conhecem bem, e que não pode cair nas costas dos operários.

Entre a base, o clima também é de revolta, com nomes como Brian Keller, funcionário de uma unidade da Mopar e pré-candidato à presidência do UAW, apontando diretamente para o ex-CEO Carlos Tavares.

Keller afirma que Tavares “estragou a empresa inteira” enquanto todos observavam passivamente, e agora quem está “sendo ferrado” são os trabalhadores que ficaram no chão de fábrica.

Do lado da Stellantis, a matemática usada para justificar o bônus zero é clara: a empresa perdeu cerca de R$ 11,3 bilhões na América do Norte no último ano.

Pelo acordo com o UAW, cada funcionário horista tem direito a aproximadamente R$ 4.640 para cada ponto percentual de margem de lucro na região, mas o prejuízo deixou essa conta no negativo.

Só as tarifas impostas pelo governo Trump teriam custado perto de R$ 7,2 bilhões ao grupo, segundo a própria montadora, destruindo parte relevante da rentabilidade no mercado norte-americano.

O contraste com anos recentes é enorme: antes do retorno de Trump à Casa Branca, em 2024, a Stellantis pagou um bônus na casa de R$ 19,5 mil por trabalhador.

Desde a fusão entre FCA e PSA, em 2021, a empresa já tinha distribuído algo em torno de R$ 242 mil em participação nos lucros para cada empregado representado pelo UAW.

Até mesmo um bônus histórico, que chegou a girar em torno de R$ 76 mil em anos de lucro recorde, agora parece distante diante do cenário de 2025.

A explicação oficial da companhia é que 2025 foi um ano “muito desafiador”, marcado por um “reset profundo e necessário” para corrigir decisões erradas do passado.

Por não atingir os parâmetros mínimos previstos no acordo coletivo de 2023, a Stellantis confirmou que não haverá qualquer pagamento de participação nos lucros aos horistas cobertos pelo UAW neste ciclo.

O aperto não ficou restrito aos Estados Unidos, já que trabalhadores assalariados da empresa na Itália também foram informados de que o bônus de desempenho para 2025 será zero.

Enquanto isso, Ford e GM, mesmo com queda de resultados, ainda garantiram alguma recompensa aos seus funcionários, o que aumentou a sensação de injustiça entre os empregados da Stellantis.

Na Ford, o pagamento ficará em torno de R$ 35 mil por pessoa, bem abaixo dos aproximadamente R$ 52,5 mil distribuídos após 2024, mas ainda assim um valor significativo.

A GM, por sua vez, deve pagar cerca de R$ 54 mil por trabalhador, montante cerca de 28% inferior ao do ano anterior, mas longe da situação de bolso vazio vivida na rival.

O novo chefe global da Stellantis, Antonio Filosa, já definiu 2026 como “ano da execução”, apostando em mais motores Hemi V8 e produção de até 100 mil unidades para recuperar margens.

Os números do segundo semestre de 2025 mostram algum fôlego, com aumento de 39% nos embarques na América do Norte, puxados por Ram, Jeep e Dodge, e meta de elevar em 25% as vendas de varejo nos EUA.

Para os trabalhadores, porém, o recado é direto: só se essa virada se concretizar os cheques de participação nos lucros devem voltar, e um novo ano com bônus zerado não está descartado.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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