BYD dobra a aposta: diz que está aberta a adquirir uma empresa rival e começar a produzir carros no Canadá

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No xadrez da indústria automotiva, poucas frases pesam tanto quanto a possibilidade de uma gigante comprar um rival em apuros, e foi isso que a BYD deixou no ar.

Em entrevista em São Paulo, a vice-presidente executiva Stella Li confirmou que a empresa estuda o mercado canadense para uma fábrica integralmente própria.

A fala, revelada à Bloomberg, é o sinal mais contundente até agora de que a BYD quer produção na América do Norte sem dividir comando com ninguém.

O governo do Canadá vem cortejando montadoras chinesas e estimulando joint ventures com empresas locais, mas Li foi direta ao rejeitar esse formato.

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“Eu não acho que uma JV funcione”, disse ela, indicando que qualquer operação canadense teria de ser 100% controlada e operada pela BYD.

A postura combina com o modelo de integração vertical da marca, que fabrica baterias, motores, eletrônica de potência e semicondutores, tornando a copropriedade um encaixe ruim.

O momento também é calculado, porque em janeiro o Canadá teria concordado em reduzir a tarifa sobre EVs chineses de 100% para 6,1%, com limite anual de 49.000 veículos.

Essa quota, segundo o relato, deve crescer para cerca de 70.000 em cinco anos, e mais da metade seria de modelos acessíveis abaixo de US$ 35.000 (R$ 183.500).

A mudança teria alterado completamente as contas, já que a BYD havia engavetado seus planos de entrar no Canadá no fim de 2024 após Ottawa impor a tarifa de 100%.

Só que a parte mais picante da entrevista foi Li admitir que a BYD está aberta a comprar uma montadora tradicional em dificuldade para acelerar a expansão global.

“Estamos abertos a toda oportunidade que tivermos”, afirmou ela, dizendo que não há acordo iminente, mas que ativos vêm sendo avaliados, sem citar alvos.

O argumento é que várias marcas americanas, europeias e japonesas sofrem financeiramente por sustentar, ao mesmo tempo, linhas a combustão e linhas de EVs.

O precedente citado é o da Geely, que comprou a Volvo Cars da Ford há mais de uma década e a transformou em uma marca lucrativa com foco em eletrificação.

A BYD chega com escala para tentar algo parecido, após vender mais de 2,25 milhões de veículos totalmente elétricos em 2025, acima dos 1,63 milhão da Tesla.

A empresa já aparece como uma das três finalistas na disputa pela planta COMPAS da Nissan-Mercedes em Aguascalientes, no México, com capacidade de 230.000 unidades, ao lado de Geely e VinFast.

Comprar capacidade pronta com mão de obra treinada costuma ser mais rápido e barato do que construir do zero, e a BYD parece aplicar essa lógica em várias regiões.

Mesmo com as ambições, o começo de 2026 trouxe tropeço, já que as vendas nos dois primeiros meses teriam caído 36%, para 400.241 unidades.

Ainda assim, as exportações ganharam tração, e a meta declarada para o ano é atingir 1,3 milhão de vendas no exterior, apoiadas na nova Blade Battery e na arquitetura de recarga ultrarrápida.

Li citou uma potência de carregamento de até 2.039 cv, como parte do pacote tecnológico que poderia ajudar a reverter a queda doméstica.

A expansão internacional inclui acelerar a primeira fábrica europeia de carros de passeio na Hungria, considerar uma segunda unidade na Turquia e sustentar cerca de 70% do mercado mexicano de EVs e híbridos plug-in.

Ela também confirmou que a BYD pensa em uma entrada na Fórmula 1 para aumentar reconhecimento global, embora sem decisão finalizada.

O grande mercado evitado segue sendo os Estados Unidos, descritos por Li como um “ambiente complicado”, com tarifas acima de 100% e proibição de tecnologia de carros conectados que bloqueia veículos chineses de massa.

Nesse contexto, o Canadá vira a rota menos travada para construir presença norte-americana, e Geely e Chery também estariam discutindo entrada no país até o fim de 2026 com apoio de concessionários.

Há, porém, um histórico sensível, porque a BYD abriu uma montadora de ônibus elétricos em Newmarket, Ontário, em 2019 para atender a Toronto Transit Commission e produziu apenas 10 unidades antes de fechar.

Uma fábrica de carros de passeio seria outro nível de compromisso, e a BYD de 2026 se apresenta como uma empresa bem diferente daquela que patinou com ônibus em 2019.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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