BYD e Geely travam duelo bilionário por fábrica da Nissan que virou o prêmio máximo para as gigantes chinesas

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Enquanto a indústria automotiva mexicana sente o baque de tarifas mais altas e fechamento de fábricas, um negócio bilionário com capital asiático pode redesenhar o mapa industrial da região.

Segundo apurou a agência Reuters, a planta da joint venture entre Nissan e Mercedes-Benz em Aguascalientes está em reta final de negociação, com BYD, Geely e a vietnamita VinFast disputando o ativo.

Os três finalistas foram escolhidos entre nove interessados, grupo que incluía outras chinesas como Chery e Great Wall Motor, evidenciando o apetite asiático por capacidade produtiva já instalada no México.

A fábrica em questão é a COMPAS, projeto conjunto entre Daimler e a Aliança Renault-Nissan inaugurado em 2017 após um investimento próximo de R$ 5,2 bilhões.

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Com capacidade anual de 230 mil veículos e hoje responsável por modelos como Infiniti QX50, QX55 e Mercedes-Benz GLB, a planta está programada para encerrar as operações até maio de 2026.

O fechamento faz parte de uma reestruturação global da Nissan, que registrou prejuízo líquido em torno de R$ 23,3 bilhões no exercício encerrado em março de 2025 e planeja cortar sua rede de 17 para 10 fábricas até 2027.

O fim da atividade em Aguascalientes significaria a perda de cerca de 3.600 empregos diretos, postos que provavelmente seriam recuperados caso o comprador seja um grande grupo chinês, colocando o governo mexicano em uma encruzilhada política.

Ao mesmo tempo em que teme a reação de Washington, o México vê seu parque automotivo perder competitividade sob as tarifas de 25% impostas por Trump sobre importações de veículos, o que já provoca fechamento de linhas e demissões.

Esse cenário ocorre justamente quando as marcas chinesas disparam no país: de participação praticamente nula em 2020, elas já respondem por cerca de 10% das vendas anuais de um mercado de 1,5 milhão de carros, segundo a AutoForecast Solutions.

A protagonista desse avanço é a BYD, cujas vendas globais multiplicaram por dez desde 2020 e que, em 2025, superou a Tesla em emplacamentos de EVs puros, com mais de 2,25 milhões contra 1,63 milhão.

A diferença de mais de 600 mil veículos evidencia a mudança de liderança no segmento, e a própria BYD ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de unidades vendidas fora da China em 2025, um salto de 150% em um ano.

A rival Geely, dona de Volvo, Polestar, Lotus e Zeekr, também mostra fôlego, com vendas acima de 4 milhões de veículos anuais, patamar semelhante ao da Ford, e planos declarados de entrar no mercado americano em dois ou três anos.

Para isso, o grupo estuda aproveitar capacidade ociosa em fábricas da própria Ford na Europa, numa tentativa de contornar tarifas da União Europeia sobre modelos chineses, movimento que dialoga com a estratégia de usar o México como base exportadora.

No caso da BYD, a disputa pela COMPAS marca uma guinada em relação ao plano original de construir uma fábrica do zero no México, ideia que surgiu em 2024 com a visão de transformar o país em hub de exportação para os Estados Unidos e outros mercados.

Em meados de 2024, a empresa já negociava um megapolo industrial que poderia chegar a 500 mil veículos por ano, até esbarrar em barreiras simultâneas em Pequim e Cidade do México.

Em março de 2025, o Ministério do Comércio chinês retardou a autorização para o investimento, alegando risco de vazamento de tecnologia proprietária em razão da proximidade com centros de P&D norte-americanos, enquanto autoridades mexicanas passaram a frear discretamente novos aportes chineses sob pressão de Washington.

A compra de uma planta existente surge como atalho porque a transferência de controle da COMPAS não exige aval do governo mexicano, trazendo junto uma mão de obra treinada, fornecedores integrados e infraestrutura logística pronta para uso.

Ainda assim, qualquer novo dono terá de investir pesado em adaptação de linhas, plataformas e processos para iniciar a produção de seus próprios modelos, o que não diminui o apelo de poder operar em meses, e não em anos.

Do lado político, a operação tende a acender alertas em Washington, já que Trump praticamente bloqueou a entrada de veículos chineses nos Estados Unidos com tarifas que superam 100% sobre EVs produzidos na China e acusa o México de servir de “porta dos fundos” para esses produtos.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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