
Em meio à pior retração no mercado automotivo chinês desde 2020, montadoras adotam uma estratégia agressiva para conquistar consumidores: financiamentos de até oito anos com entrada zero.
Nissan e Dongfeng entraram na onda com um plano de 96 meses para o sedã Sylphy Classic, com parcelas diárias anunciadas a partir de 27 yuans — cerca de R$ 19, valor similar ao de um café.
A dupla se junta a pelo menos outras dez fabricantes, incluindo Geely, Xpeng e Xiaomi, que passaram a oferecer planos semelhantes, com juros baixos e prazos estendidos.
Tesla foi a pioneira do movimento, ao lançar em janeiro uma linha de crédito de sete anos para os modelos Model 3 e Model Y, com condições válidas até o fim de fevereiro.
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Até recentemente, o limite de financiamento para veículos na China era de cinco anos.
Mas, diante do consumo fraco, o governo afrouxou as regras no ano passado, permitindo prazos de até sete anos para impulsionar as vendas.
As montadoras chinesas agora vão além e, mesmo sem clareza sobre a legalidade total dessas ofertas, estão ampliando ainda mais os prazos para manter o mercado girando.
Analistas apontam que os incentivos surgem num momento crítico, com a retirada dos subsídios públicos para troca de veículos econômicos — justamente o segmento que domina o volume de vendas no país.
Com isso, o crédito se tornou a última cartada para reverter a estagnação e tentar manter fábricas ativas e concessionárias abastecidas.
As campanhas publicitárias também mudaram de tom.
Ao invés de destacar potência ou inovação, os anúncios hoje destacam parcelas diárias mais baratas que um lanche ou um aplicativo de streaming.
O foco agora é tornar o carro um bem “acessível no dia a dia”, diluindo o custo total em micro parcelas apelativas.
Ainda não está claro como os reguladores chineses irão reagir à expansão dos prazos para oito anos.
Procuradas pela Reuters, Nissan e Dongfeng não comentaram como esses novos planos se enquadram nas normas atuais.
Para consumidores endividados e um mercado pressionado, o risco pode ser alto — mas para as montadoras, o risco de não vender é maior ainda.
Com a concorrência cada vez mais feroz e os EVs disputando cada centavo do consumidor, o financiamento longo virou a nova arma das montadoras na batalha pelo maior mercado automotivo do mundo.
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