
A ideia de veículos totalmente autônomos revolucionando o transporte parece, mais uma vez, adiada por tempo indeterminado.
Apesar de anos de investimentos bilionários, as principais montadoras enfrentam hoje dúvidas sobre custos, escalabilidade e, principalmente, sobre a real demanda por esse tipo de tecnologia.
Ford e GM, por exemplo, já abandonaram seus projetos internos de carros 100% autônomos após prejuízos expressivos e incidentes críticos, como o atropelamento fatal envolvendo um carro da Cruise.
Enquanto isso, Tesla e Waymo continuam desenvolvendo seus próprios sistemas de direção autônoma, mas ainda longe da prometida autonomia total.
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No CES 2026, o tema voltou à pauta com anúncios de parcerias entre Amazon Web Services e a alemã Aumovio, além de acordos entre a startup Kodiak AI e a Bosch para produção de sensores voltados a caminhões autônomos.

A Nvidia, por sua vez, lançou sua nova plataforma Alpamayo, voltada para robô-táxis e veículos com direção assistida, com apoio de empresas como Lucid, Uber e Nuro.
A Mercedes-Benz confirmou que usará os chips da Nvidia em um novo sistema avançado de assistência à condução, previsto para estrear ainda este ano nos EUA.
Segundo a empresa, o sistema permitirá condução autônoma em áreas urbanas, mas sempre com supervisão do motorista — enquadrando-se no chamado Nível 2 da escala de autonomia.
Essa é, aliás, a aposta de muitas fabricantes atualmente: sistemas avançados que gerem receita sem prometer independência total ao veículo.
O CEO da Infineon, Jochen Hanebeck, alerta para o “delírio de mercado” sobre o Nível 5, e afirma que a indústria, por ora, está focada no que pode ser implementado com segurança e retorno financeiro.

A inteligência artificial, especialmente a generativa, tem acelerado o desenvolvimento e reduzido custos de validação, mas ainda enfrenta os desafios dos “casos de borda” — situações imprevisíveis que exigem julgamento humano.
Exemplo clássico citado por especialistas é o de uma bola rolando para a rua: o motorista reduz por saber que pode vir uma criança, mas um carro autônomo só reagirá ao ver a criança de fato.
Mesmo com os avanços recentes, como testes de robô-táxis em regiões pontuais da China, EUA, Europa e Oriente Médio, a expansão ampla depende de infraestrutura, dados massivos e logística — o que encarece e limita a escala.
A Nvidia acredita que sua plataforma aberta pode ser um “Android” frente ao sistema proprietário da Tesla, permitindo que outros players acelerem sem depender de uma única empresa.
Ainda assim, analistas apontam que a Tesla mantém vantagem técnica de anos e segue como referência no setor, mesmo com suas promessas não cumpridas.
Enquanto isso, o futuro dos carros autônomos continua mais perto da ficção científica do que da garagem do consumidor médio.
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