
O carro moderno prometia ser um smartphone sobre rodas, mas para muitos proprietários ele está se tornando mais uma fonte de irritação do que de conveniência.
Um novo levantamento de confiabilidade com veículos ano-modelo 2023 mostra que, depois de três anos de uso, a quantidade de problemas relatados voltou a subir de forma consistente.
A pesquisa ouviu nos EUA 33.268 donos e investigou 184 tipos específicos de falhas distribuídas em nove grandes áreas, indo de ar-condicionado e assistência ao motorista até bancos e painel.
O resultado é expresso em problemas por 100 veículos, e a média da indústria atingiu 204 ocorrências, dois casos a mais que no estudo anterior.
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Esse patamar é o mais alto desde a reformulação da metodologia em 2022 e estende uma sequência de três anos em que a durabilidade percebida piora em vez de melhorar.
O maior foco de reclamações está exatamente onde as montadoras mais investem em “wow factor”: os sistemas de infotainment, que sozinhos somam 56,7 problemas por 100 carros.
Quatro dos cinco principais incômodos de toda a pesquisa têm relação direta com o celular, mostrando que a integração do mundo digital ao painel ainda está longe do ideal.
A campeã de queixas é a conexão com Apple CarPlay e Android Auto, com 8,9 problemas por 100 veículos, seguida por falhas em Bluetooth, carregamento sem fio e apps das montadoras.
Logo atrás aparecem os problemas ligados ao exterior, com 27,5 ocorrências por 100 carros, envolvendo barulhos estranhos, encaixes ruins e pequenos defeitos de acabamento.
As tão celebradas atualizações de software via internet também entraram na mira, desafiando o discurso de que o carro melhoraria “sozinho” ao longo da vida útil.
Quarenta por cento dos entrevistados disseram ter recebido algum update nos últimos doze meses, mas apenas 27 por cento notaram qualquer melhora concreta depois disso.
A maioria dessas atualizações foi feita de forma totalmente remota, e justamente esses veículos registraram um aumento mensurável no número de problemas reportados.
Na prática, a promessa de correções invisíveis e constantes muitas vezes se traduz em mudanças pouco claras para o usuário e, em alguns casos, em novos bugs inesperados.
O estudo também analisou a confiabilidade por tipo de trem de força, e aí o resultado é um balde de água fria para quem via eletrificação como sinônimo automático de robustez.
Os híbridos plug-in foram os que mais deram dor de cabeça, com 281 problemas por 100 veículos, um salto de 39 casos em relação ao levantamento anterior.
EVs puros e híbridos convencionais também pioraram, com aumento de 14 ocorrências cada, atingindo 237 e 213 problemas por 100 carros, respectivamente.
Enquanto isso, os modelos a combustão tradicional conseguiram uma leve melhora, caindo para 198 problemas por 100 veículos e se tornando o grupo com menor índice de falhas no estudo.
Entre as marcas, Lexus liderou com folga a classificação de confiabilidade, com 151 problemas por 100 veículos, bem distante da média geral da indústria.
O sedã IS foi apontado como o carro mais confiável depois de três anos, enquanto Civic, Forte e Camry também se destacaram, com a Toyota dominando várias categorias.
Outros nomes que ficaram claramente acima da média em durabilidade incluem Buick, Mini, Cadillac, Chevrolet, Subaru, Porsche, Kia, Nissan, BMW e Hyundai, reforçando a força de algumas generalistas.
Na ponta oposta aparecem VW, Volvo, Land Rover, Jeep, Audi, Mercedes-Benz, Infiniti, Tesla e Acura, todos com níveis de problemas mais elevados que a média do mercado.
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