
Coluna Fernando Calmon nº 1.386 — 27/1/2026
Parece existir uma “competição” entre o Governo Federal e os estaduais para facilitar ao máximo a renovação ou obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A intenção é, obviamente, afastar burocracias, mas deve-se considerar antes de mais nada possíveis consequências para segurança do trânsito.
Parece claro e aceitável que 20 horas obrigatórias de aulas teóricas pode ser um exagero. No entanto, o que importa é o rigor dos exames, tanto da parte teórica quanto prática.
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Como bem lembrou Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, “no Japão não há obrigação de um curso teórico, mas é preciso acertar 90% das questões. Aqui, apenas dois terços (66%)”.
Nem precisa comparar o índice de acidentes fatais do Brasil com o do Japão. Então, existe claramente um viés demagógico que estima em 20 milhões os motoristas e motociclistas sem habilitação no País.
Não se explicou como se chegou a esse número, pois a frota real circulante é bem menor que frota registrada. Há, assim, evidente exagero.
Um ponto positivo foi a renovação automática da CNH para quem não cometeu infração de trânsito nos 12 meses anteriores ao fim da validade do documento, estabelecida em 9 de janeiro último.
Motoristas com mais de 70 anos não se enquadram nesta norma, o que está correto.
Nove Departamentos Estaduais de Trânsito responderam com o fim da prova de baliza para estacionar em vagas paralelas ao veículo.
De fato, isso facilitará obter a CNH, todavia há grande potencial de aumentar os congestionamentos com as dificuldades naturais de muitos iniciantes. São Paulo, onde há a maior frota do País, já aderiu.
Outra facilidade que apenas reflete as vendas em ascensão constante: exames práticos poderão ser feitos com automóveis de câmbio manual ou automático.
Essa é uma realidade e sua adoção nada a ver com o estigma de bom ou mau motorista. Respeitar normas e evitar multas deve estar na consciência e responsabilidade de todos.
Em congestionamentos, principalmente, eliminar o pedal de embreagem diminui estresse e cansaço.
Chinesa Jetour lança simultaneamente três modelos

Fundada em 2018, integrante do Grupo Chery (aqui em colaboração com Grupo CAOA), a Jetour tem vida independente e começa com três SUVs médios importados: o quase crossover S06 e dois SUVs de linhas tradicionais, T1 e T2, sem tração 4×4 (que virá adiante).
Todos são híbridos plugáveis, categoria que cresce muito na China. Já há decisão de construir fábrica no Brasil, a partir de kits desmontados, com provável definição do local em abril próximo.
Três outros modelos chegam ainda em 2026. Motores flex serão desenvolvidos aqui. Primeiras avaliações dinâmicas foram no autódromo Velocitta, em Mogi Mirim (SP).
S06 apresenta linhas marcantes, porém dentro da “escola” chinesa.
Diferencia-se pelo uso de vidros laminados nas portas dianteiras e, na versão de topo, uma enorme tela multimídia de 15,6 pol. Rodas de 20 pol., pacote ADAS (nível 2) com câmera de 540º.
Garante bom espaço interno pelo entre-eixos de 2.720 mm. Ponto fraco é o porta-malas de apenas 416 L.
Motor a gasolina,135 cv e 20,4 kgf·m e um elétrico, 204 cv e 31,6 kgf·m. Potência combinada: 315 cv.
Embora demonstre segurança em asfalto, há limitações evidentes no uso fora de estrada pela bateria no assoalho que diminui o vão livre do solo. Preços entre R$ 199.990 e R$ 229.990.
Tanto o T1 quanto o T2 (primeiro mais discreto que o segundo) podem agradar mais a quem gosta ou precisa usá-los longe do asfalto.
Entre os pormenores interessantes, a capa retangular do estepe externo, de uso temporário (não ideal para fora de estrada), no centro da tampa do bom porta-malas de 574 L.
Contudo, há a mesma restrição da bateria no assoalho. Entre-eixos passa para 2.800 mm.
O T2 apresenta um visual condizente com o de um SUV raiz, apesar de não contar ainda com a segurança da tração integral.
O motor a gasolina é o mesmo nos três modelos, mas no topo de linha há dois elétricos: 102 cv e 17,3 kgf·m atua em conjunto com o motor a gasolina e outro de 122 cv e 22,4 kgf·m opera, por meio de engrenagens, com o câmbio DHT de três marchas.
Estas especificações fogem do convencional e, se houver algum problema, vai doer no bolso, como já acontece com os concorrentes diretos.
Capacidade de imersão de 70 cm e inclui sensor de alagamento. Destaque fica para a aceleração de 0 a 100 km/h em 7,5 s. Porém, o alcance no modo elétrico diminui 13 km para 75 km.
Graças ao tanque de 70 litros e à bateria toda carregada é possível rodar até 1.100 km. T1, mais leve, 1.200 km de alcance.
Preços: T2, R$ 289.990 a 299.900; T1, R$ 249.900 a R$ 264.900.
BMW espera bons resultados em 2026

Depois de um balanço positivo em 2025 com crescimento nas vendas de nacionais e importados de 4% sobre 2024, a presidente do Grupo BMW (inclui a Mini), Maru Escobedo, manteve otimismo para este ano.
“Cerca de um terço dos modelos premium comercializados no Brasil no ano passado veio das duas marcas do nosso grupo. Para este ano teremos ainda no primeiro trimestre o BMW Série 1 M 135 xDrive”, adiantou.
Especificações europeias indicam que o hot hatch com motor 2-litros turbo entrega 304 cv e 40,7 kgf·m. Lançamento esperado para fevereiro.
Escobedo destacou que 60% das vendas da BMW, em 2025, quando completou três décadas de atuação no mercado brasileiro, tiveram origem na fábrica de Araquari (SC), com índice de conteúdo local de 40%. Foram 13,3 mil unidades.
A executiva mexicana destacou a flexibilidade da unidade catarinense e até produzir modelos elétricos, mas nenhuma decisão foi tomada.
O acordo comercial Mercosul-União Europeia não impedirá a continuidade da produção brasileira, que poderá se beneficiar também de componentes importados que, em longo prazo, terão imposto de importação zerado.
“Vamos avaliar os cenários possíveis, mas pretendemos expandir a operação no Brasil ”, afirmou.
Geely inaugura concessionária de referência

Continua cada vez mais acirrada a concorrência chinesa no Brasil.
E a estratégia é seguir as melhores práticas de marketing, a exemplo da Geely, que acaba de inaugurar sua primeira concessionária de referência (flagship) em São Paulo (SP).
Faz parte do Grupo Itavema e além de um salão de vendas diferenciado, vai procurar atender conceitos emocionais dos interessados.
A marca confirmou que pretende aumentar a sua rede nacional para 40 concessionárias e lançar o SUV híbrido plugável EX5 EM-i, inicialmente importado.
No segundo semestre de 2026, está prevista a montagem deste modelo na fábrica da Renault, em São José dos Pinhais (PR), já de acordo com a regulamentação do programa federal Mover, publicada no último dia 22.
A Geely adquiriu 26,4% da filial brasileira da Renault.
No exterior, Renault e Geely são sócias igualitárias da Horse (45% cada), juntamente com a petrolífera Aramco (10%), para desenvolver motores a combustão e híbridos.
Ampere é a subsidiária da marca francesa exclusiva para elétricos.
A Geely estabeleceu a meta de produzir 6,5 milhões de unidades por ano até 2030, que a colocaria no quinto lugar no mercado mundial, ao somar todas as 10 marcas em que detém propriedade: Volvo, Polestar, Lotus, Zeekr, Link & Co, Proton, LEVC, Farizon, Geometry e Geely Galaxy.
Agora é o sétimo maior grupo mundial com 4,5 milhões de unidades vendidas no ano passado.
Atualmente, há 14 marcas chinesas atuantes no País.
É o quinto maior mercado para os chineses, atrás do México, Rússia, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, nesta ordem decrescente, segundo a agência de notícias britânica Reuters.
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