
A disputa pelas picapes médias deixou de ser conversa de bastidor quando o próprio CEO da Ford resolveu sentir na pele o que a China está colocando na rua.
Em uma visita à Austrália, Jim Farley passou alguns dias dirigindo modelos bem fora do “Blue Oval”, incluindo as picapes híbridas plug-in BYD Shark 6 e GWM Cannon Alpha.
Ele também alternou os testes com Toyota Land Cruiser 70, e descreveu a experiência à imprensa local como um choque de propostas entre veículos “totalmente diferentes”.
Segundo Farley, a BYD Shark 6 engana no primeiro olhar, porque parece uma picape convencional até o momento em que você exige comportamento de picape de trabalho.
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“Ela é uma ute, mas se você colocar 500 kg na caçamba, não é uma Ranger, não é uma Hilux”, disse o executivo.

A mensagem, na prática, separa dois públicos: quem quer a estética e a posição de dirigir de picape, e quem depende de carga, reboque e uso diário pesado.
Para esse consumidor mais “lifestyle”, Farley reconheceu que a eletrificação faz sentido e que a Shark se mostra um produto surpreendentemente competitivo.
O comentário é especialmente sensível para a Ford, porque ele sabe que parte dos donos de Ranger não explora a picape no limite para o qual os engenheiros a projetaram.
Ainda assim, o executivo fez questão de defender a vantagem histórica de marcas como Ford e Toyota na engenharia de chassi, capacidade de carga e calibração para reboque.

Na visão dele, BYD e GWM não acumularam por décadas o mesmo repertório de desenvolvimento que transformou Ranger e Hilux em referências para trabalho duro.
Mesmo com essa ressalva, Farley afirmou que o Cannon Alpha PHEV também aparece como um concorrente sólido entrando no espaço das médias globais.
O ponto que mais o intriga, porém, não é só a dirigibilidade, e sim a matemática por trás do produto quando se abre a engenharia.
Farley contou que engenheiros da Ford já desmontaram a picape da BYD para entender soluções e custos, mas ainda assim “não fazem sentido” as contas.
“Não tenho ideia de como eles ganham dinheiro quando a gente desmonta”, brincou ele, em uma admissão rara para um CEO desse porte.
O alerta final é estratégico: marcas chinesas estão mirando justamente um dos segmentos mais confiáveis em lucro, as picapes médias, e em mercados como a Austrália a ofensiva já está em curso.
Para os Estados Unidos, ele admite que o cenário ainda é protegido “em casa” por enquanto, mas diz que não há garantia de que isso continue igual daqui a 10 anos.
A avaliação ganha peso porque o próprio Farley já havia dito, em 2024, que estava gostando tanto de dirigir um Xiaomi SU7 em teste de longa duração que não queria devolvê-lo.
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