
Em meio à escalada de demanda por hardware para IA, um componente que parecia “resolvido” voltou a virar disputa: a memória RAM, agora pressionada por novos usos além de servidores.
O CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, afirmou em uma teleconferência de resultados que as próximas gerações de carros autônomos de Nível 4 e robôs avançados podem exigir mais de 300GB de RAM cada.
Para comparar o tamanho do salto, ele citou que veículos atuais com ADAS de Nível 2 podem consumir aproximadamente 16GB, um patamar muito distante do que viria pela frente.
Essa diferença ajuda a entender por que gamers, editores de vídeo e consumidores de tecnologia vêm sentindo os preços de RAM subir, num ritmo que o texto compara à alta do petróleo com a guerra no Irã.
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Na prática, a maior parte dos carros modernos ainda opera com assistências como controle de cruzeiro adaptativo e permanência em faixa, baseadas em câmeras e sensores, mas com o humano como responsável final.
Sistemas desse tipo pressupõem que o motorista continue atento e pronto para intervir, o que reduz a necessidade de processar e guardar volumes enormes de dados em tempo real.
Já um veículo totalmente autônomo precisa cruzar informações de mais de duas câmeras, radares, lidar, mapas detalhados e modelos de IA simultaneamente, tratando cada milissegundo como crítico.
Esse tipo de tomada de decisão instantânea consome muito mais memória do que o projeto típico de hoje comporta, porque a máquina precisa manter mais contexto ativo o tempo todo.
Por isso, a visão é que carros autônomos passem a se parecer com pequenos data centers em movimento, especialmente quando falamos de Nível 4 em áreas de operação definidas.
Nessas condições, o sistema não tem alternativa a não ser interpretar o ambiente continuamente, prever movimentos e reagir de imediato, sem depender de “confirmar” com um humano.
A memória se torna central porque permite que modelos de IA operem de forma eficiente, aceitando múltiplos fluxos de dados ao mesmo tempo, sem travar ou atrasar decisões.
Segundo a Micron, RAM insuficiente pode criar gargalos de desempenho que afetam segurança e confiabilidade, justamente onde não há margem para hesitação.
O debate ecoa o que já acontece no mundo de IA em larga escala, em que aplicações intensivas vêm elevando o consumo de memória em servidores e data centers.
A diferença, agora, é que a pressão começa a migrar para dispositivos físicos, como carros, robôs e até EVs, ampliando a concorrência por DRAM.
A empresa também apontou um aumento relevante de receita puxado por demanda de DRAM voltada a usos de IA, sinalizando que a tendência pode ganhar nova perna no setor automotivo.
Até referências como o Super Cruise, citado no contexto de tirar mãos e depois olhos da direção, ajudam a ilustrar o caminho: quanto mais autonomia real, maior o apetite por memória.
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