
O conselho da Pirelli rejeitou uma proposta da Sinochem para desmembrar a divisão Cyber Tyre, aprofundando um conflito entre os controladores chineses e a gestão italiana da fabricante de pneus.
Durante a reunião de diretores realizada nesta quinta-feira, a maioria votou contra o plano apresentado pela Sinochem, acionista com 34% da companhia, reforçando o alinhamento com o CEO Andrea Casaluci.
Casaluci argumentou que a separação comprometeria o modelo integrado da empresa, limitaria o acesso a patentes estratégicas e enfraqueceria o desenvolvimento tecnológico.
Segundo ele, isso afetaria diretamente a posição competitiva da Pirelli em um segmento considerado vital para o futuro da mobilidade.
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A unidade Cyber Tyre é responsável por desenvolver pneus com sensores capazes de transmitir dados em tempo real — um diferencial tecnológico com enorme potencial de mercado.
Porém, o envolvimento de investidores chineses no setor levantou preocupações junto às autoridades americanas, especialmente por questões de segurança nacional.
A proposta da Sinochem visava isolar as atividades da Cyber Tyre nos EUA para atender às exigências regulatórias impostas por Washington ao setor de veículos conectados.
Os Estados Unidos representam hoje mais de 20% da receita global da Pirelli, tornando o país um mercado crucial — mas também sensível do ponto de vista político.
Desde o ano passado, a Itália aplicou normas para restringir a influência estrangeira em ativos estratégicos, e o conselho da Pirelli já havia declarado que a Sinochem perdeu o controle efetivo da empresa.
A Camfin, holding do vice-presidente executivo Marco Tronchetti Provera e segundo maior acionista da companhia, já havia se posicionado contra o plano antes mesmo da votação.
Com isso, a tentativa da Sinochem de reconfigurar a presença da Pirelli nos EUA acabou rechaçada tanto por investidores italianos quanto pela gestão corporativa.
A disputa coloca em evidência como a geopolítica está interferindo diretamente nas estratégias de empresas com presença global e acionistas de origens divergentes.
Enquanto a tecnologia embarcada em pneus ganha importância nos veículos conectados, a Pirelli optou por manter sob seu controle uma área considerada essencial para sua identidade e vantagem competitiva.
A decisão também envia um recado claro sobre os limites da influência chinesa na condução de ativos considerados sensíveis na Europa.
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