
Para o CEO da Rivian, a próxima grande linha divisória do mercado automotivo não será mais entre combustão e EVs, e sim entre carros que dirigem sozinhos e os demais.
RJ Scaringe afirmou, em entrevista ao podcast “No Priors”, que recursos de direção autônoma vão deixar de ser diferencial tecnológico e se tornar item obrigatório nos próximos anos.
Segundo ele, por volta de 2030 será “inconcebível” comprar um carro e não esperar que ele seja capaz de se conduzir sozinho em diversas situações do dia a dia.
O executivo sugeriu que essa virada pode acontecer até antes, já que a própria Rivian trabalha para antecipar esse horizonte e colocar essas funções no mercado o quanto antes.
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Scaringe comparou a evolução da autonomia ao caminho percorrido por itens como airbag e ar-condicionado, que em algum momento foram opcionais e hoje são vistos como indispensáveis.

Na visão dele, em poucos anos soará estranho imaginar a compra de um carro que não consiga deixar o motorista no aeroporto ou buscar as crianças na escola sozinho.
O CEO já havia defendido que, num estágio mais avançado, veículos autônomos deverão ser capazes de resolver tarefas cotidianas, como buscar compras ou providenciar peças de reposição.
A Rivian é uma das poucas montadoras americanas que tentam equilibrar a disputa dos EVs com investimentos pesados em software e direção autônoma, ao lado de Tesla, Waymo e Ford.
Fora dos Estados Unidos, o cenário é ainda mais competitivo, com grupos chineses como BYD, XPeng e Baidu ganhando espaço na corrida por sistemas avançados de condução.
Sediada em Irvine, na Califórnia, a Rivian se prepara para iniciar as entregas do SUV R2, o modelo mais acessível da marca até agora, com preço em torno de R$ 235.000.

O R2 é peça central na estratégia da empresa para ampliar a base de clientes, sair do nicho de EVs caros e criar escala para financiar a aposta em tecnologias autônomas.
Nos números mais recentes, a Rivian reportou receita anual de 2025 de US$ 5,39 bilhões, algo perto de R$ 28,1 bilhões, alta de 8% em relação a 2024.
A companhia informou ter entregue 42.247 veículos no ano, sinal de crescimento, mas ainda distante dos volumes de montadoras tradicionais ou mesmo de algumas rivais elétricas.
Após a divulgação do balanço, as ações caíram cerca de 5% no pregão regular, mas se recuperaram com força, subindo por volta de 15% nas negociações após o fechamento.
No acumulado de doze meses, os papéis avançaram aproximadamente 12%, reflexo de um mercado que oscila entre preocupação com prejuízos e expectativa com a nova geração de produtos.
A narrativa de Scaringe coloca a direção autônoma no centro da estratégia para diferenciar a Rivian em relação à Tesla, às big techs e às gigantes chinesas da mobilidade.
Ao mesmo tempo, o avanço dessas tecnologias segue dependendo de marcos regulatórios, aceitação do público e infraestrutura robusta, fatores que podem acelerar ou atrasar a linha do tempo sugerida pelo executivo.
Se a previsão se confirmar, a grande questão para o fim da década será menos “qual EV comprar” e mais “qual carro dirige melhor sozinho e resolve mais coisas por você”.
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