CEOs da Renault e da Polestar detonam híbridos plug-in, dizem que PHEVs são “farsa” e “o pior dos dois mundos”

renault ceo francois provost
renault ceo francois provost

Em vez de consenso, a transição para a eletrificação está revelando uma indústria dividida entre soluções intermediárias, promessas de eficiência frustradas e executivos cada vez mais francos nas críticas.

Muita gente ainda enxerga os híbridos plug-in, os PHEVs, como o “melhor dos dois mundos”, combinando certa autonomia elétrica com a segurança do motor a combustão de reserva.

Para ao menos duas grandes montadoras, porém, essa narrativa já não se sustenta, e os PHEVs estariam mais para gambiarra tecnológica do que para ponte inteligente rumo aos EVs.

O chefe da Polestar na Austrália foi direto ao ponto ao definir os híbridos plug-in como “o pior dos dois mundos”, em conversa com a imprensa local.

Na visão dele, o formato junta a complexidade de um conjunto a combustão com todo o peso de engenharia de um trem de força elétrico completo, sem entregar o benefício proporcional.

“Não faz sentido adicionar motor a gasolina a uma marca que se orgulha de ser dinâmica, orientada a desempenho e com uma mensagem forte de sustentabilidade”, disse Scott Maynard ao site CarSales.

A crítica ecoa outros levantamentos que apontam PHEVs rodando a maior parte do tempo só a gasolina e consumindo até três vezes mais do que sugerem os testes padronizados.

Do lado da Renault, o discurso é parecido, mas com foco em um alvo mais específico: os híbridos plug-in com autonomia elétrica tão curta que o dono simplesmente desiste de recarregar.

Segundo François Provost, executivo da marca francesa, esses modelos viram um “PHEV de mentira”, porque a bateria pequena não convence o cliente a usar o modo elétrico no dia a dia.

Ele cita o contraste entre SUVs como o novo VW Tiguan europeu, capaz de rodar até cerca de 75 milhas WLTP, ou 121 km, e rivais que fazem praticamente metade disso.

Exemplos como o Mazda CX-60 PHEV, com alcance elétrico muito menor, acabam reforçando a percepção de que alguns modelos só buscam números favoráveis em laboratório, mas pouco mudam na prática.

Para Provost, a alternativa não está no PHEV clássico, e sim nos elétricos com extensor de autonomia, configuração que a Renault estuda com mais atenção.

Nesse formato, como no Leapmotor C10, o motor elétrico é o único responsável por mover as rodas, enquanto o propulsor a combustão funciona apenas como gerador de energia.

A ideia é tornar o uso urbano totalmente elétrico, com o motor a gasolina entrando apenas como apoio em viagens longas, garantindo algo em torno de 1.000 km, ou 620 milhas, sem ansiedade.

Reguladores europeus também vêm apertando o cerco aos PHEVs, exigindo baterias maiores para que os dados de emissões e consumo se aproximem mais da realidade.

Alguns modelos quase dobraram a capacidade de bateria para se enquadrar, mas o peso extra torna o carro menos eficiente quando roda só a combustão carregando todo o hardware elétrico.

Enquanto isso, casos como o híbrido de 192 hp, ou cerca de 195 cv, da Stellantis que não entregava a potência prometida só alimentam a desconfiança do público em relação a soluções “meio-termo”.

No fim, a grande pergunta continua em aberto: o melhor compromisso entre alcance, usabilidade e eficiência está em um EV com bateria maior e recarga rápida, em um PHEV evoluído ou em um elétrico com extensor de autonomia.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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