
A indústria fala em eletrificação total, mas a realidade é que dezenas de milhões de compradores ainda preferem o motor a combustão e não querem depender de tomada para mudar de carro.
É nesse espaço que a Changan Auto lançou a plataforma híbrida “Blue Core Super Engine” (蓝鲸超擎混动), mirando cerca de 70 milhões de consumidores globais que seguem no ICE.
Para desenvolver a arquitetura, a montadora estatal investiu 2 bilhões de yuan [R$ 14.200.000.000], equivalente a US$ 291,12 milhões (aproximadamente R$ 1.504.500.000), em um laboratório especializado.
Segundo o IT-home, a Changan colocou como alvo central um consumo urbano de 2,98 L/100 km, o que corresponde a 33,6 km/l, buscando eficiência de EVs sem exigir infraestrutura de recarga.
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A empresa afirma que o sistema é fruto de seis anos de desenvolvimento, com 1.000 engenheiros e 163 avanços técnicos em hardware e software do powertrain.
A proposta é servir como tecnologia de transição para quem quer uma experiência “elétrica” no uso diário, mas ainda vê o plugue como obstáculo.
O Blue Core evolui a partir da série da marca iniciada em 2012 e se apoia nos sistemas de injeção ultralta pressão de 500 bar introduzidos em 2024.
Nesta geração, a lógica é uma integração de “óleo e eletricidade” que prioriza a tração do motor elétrico sobre o motor a combustão.
Para validar durabilidade, o conjunto passou por 2 milhões de quilômetros de testes em rodagem, atravessando 70 tipos de superfície diferentes ao redor do mundo.
O foco em baixa velocidade tenta reduzir desperdício no anda-e-para, onde normalmente o consumo piora e a frustração do motorista também.
A Changan diz que buscou alto torque imediato e menor ruído, tentando replicar a sensação de dirigir um EV no trânsito urbano.
O lançamento sustenta a meta de chegar a 750.000 vendas no exterior em 2026, dentro da estratégia global chamada “Vast Ocean”.
O desenvolvimento contou com participação relevante do centro de P&D da Changan em Birmingham, no Reino Unido, para adequação a padrões internacionais.
Na Tailândia, a fábrica de Rayong está elevando produção de modelos com volante à direita para abastecer Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e o Reino Unido.
Na Europa, após abrir uma subsidiária alemã em Munique em 2025, a marca promete a linha “In Europe, For Europe” para levar esses híbridos a Noruega, Alemanha e Reino Unido.
A temporada global de testes de 2026 está em andamento nos Alpes europeus e no Sudeste Asiático, para validar o desempenho do sistema 2,98 L/100 km em climas extremos.
No campo de batalha, BYD DM-i 5.0 e Geely NordThor (Leishen) EM-i já reivindicam consumo de até 2,62 L/100 km, o que equivale a 38,2 km/l, então a meta urbana da Changan também é um movimento defensivo.
O objetivo é manter a relevância das linhas UNI e CS na China, que enfrentam cortes agressivos de preços vindos da linha PHEV verticalizada da BYD.
Do lado da cadeia de suprimentos, o investimento de 2 bilhões de yuan [R$ 14.200.000.000] permite internalizar P&D de transmissão híbrida e eletrônica de potência, reduzindo a dependência histórica de fornecedores Tier 1 como a Aisin.
Esse movimento se encaixa em um roteiro de múltiplas vias, que inclui a injeção de capital na Deepal, marca que levantou 6,12 bilhões de yuan [R$ 43.500.000.000], equivalentes a US$ 890,83 milhões (cerca de R$ 4.601.300.000), em uma rodada Série C no fim de 2025.
E a Changan também reforça outra aposta tecnológica ao lado da CATL, com o que descreve como o primeiro carro de passeio de íons de sódio produzido em massa.
O Nevo A06 foi apresentado com uma bateria CATL Naxtra de 45 kWh, e a estratégia de sódio mira alcance e segurança em frio extremo, espelhando o papel de “ponte” que o Blue Core tenta cumprir para quem ainda vive no ICE.
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