
A era dos interiores dominados por telas gigantes pode estar com os dias contados na Audi, e a mudança vem de cima.
Desde que assumiu a liderança do design da marca há cerca de um ano e meio, Massimo Frascella tem trabalhado para resgatar a essência alemã que consagrou a fabricante — e isso passa por repensar a experiência dentro dos carros.
Sua inspiração é o conceito Audi C, um protótipo recente que rompe com a tendência atual ao apostar em comandos físicos, superfícies sólidas e um interior menos digitalizado.
Mesmo contando com algumas telas, o Concept C adota soluções mais discretas, como uma central multimídia de 10,4 polegadas retrátil e comandos analógicos no console e no volante.
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Para Frascella, a tecnologia deve estar presente quando necessária, mas sem tomar o controle de tudo nem ofuscar o acabamento ou a ergonomia.
Ele destaca que a “tactilidade” dos comandos físicos é parte da identidade da Audi, citando o famoso “clique” dos botões metálicos como símbolo de qualidade e precisão.
A fala contrasta com o que se vê hoje em modelos como A6 e S6 E-Tron, que somam impressionantes 94,7 cm de tela no painel — distribuídas entre o quadro de instrumentos, a central de 14,5 polegadas e uma tela adicional para o passageiro.
Esses displays, segundo o designer, acabam rodeados de plásticos brilhantes que empobrecem a percepção geral do interior.
Apesar de não haver planos imediatos para modificar os modelos atuais, Frascella afirma que a visão da marca é de longo prazo e não permite mudanças pontuais em carros já prontos.
Ou seja, os Audi atuais vão seguir seu curso normal até serem substituídos por projetos mais alinhados à nova filosofia.
Frascella traz bagagem de peso: trabalhou por anos no grupo Jaguar Land Rover, sendo responsável por modelos como Range Rover, Velar e Defender — SUVs conhecidos por seu visual elegante e minimalista, ainda que também bastante digitais.
A diferença agora é a intenção declarada de resgatar um equilíbrio entre o analógico e o digital, buscando formas sólidas e superfícies com acabamento mais tátil e refinado.
Em tempos em que BMW e Mercedes-Benz adotam interiores cada vez mais extravagantes para agradar ao mercado chinês, a Audi quer seguir na contramão.
Para Frascella, a força da marca está em sua origem: “Audi é global, mas por natureza é alemã”, afirmou à Top Gear.
O Concept C representa esse pensamento, com volumes definidos, formas disciplinadas e uma sensação de rigidez e qualidade que remete às gerações passadas da marca.
O desafio agora é transformar essa visão em carros de produção — ainda que isso leve alguns anos para acontecer.
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