
Enquanto a transição global para veículos elétricos avança, a falta de políticas públicas consistentes está criando um labirinto de incertezas para a indústria automotiva fora da China.
Montadoras enfrentam dificuldades para planejar e investir diante das constantes mudanças de regras em países como Estados Unidos e membros da União Europeia.
A crítica partiu da vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, durante um painel sobre mobilidade elétrica no Fórum Econômico Mundial em Davos.
Segundo ela, a instabilidade das políticas governamentais atrapalha decisões estratégicas como o desenvolvimento de novos modelos, ciclos de produção e estruturação de cadeias de suprimento.
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Li alertou que o vai-e-volta regulatório deixa fabricantes confusos e hesitantes, justamente num momento em que a disputa entre EUA, Europa e China pelo domínio dos EVs se intensifica.
Ela afirmou que, quando há clareza nas diretrizes, as montadoras conseguem focar na execução e acelerar seus projetos com confiança.
A governadora do estado de Michigan, Gretchen Whitmer, concordou com a análise e disse que a falta de comprometimento em nível nacional tem dificultado a atuação das empresas americanas.
Ela destacou que companhias chinesas conseguiram avançar mais rápido justamente por contarem com um ambiente de regras previsíveis e incentivo contínuo.
Já Elaine Buckberg, ex-economista-chefe da General Motors, lembrou que o planejamento de um carro leva pelo menos cinco anos e exige estabilidade regulatória para garantir retorno a longo prazo.
Ela ressaltou que manter incentivos consistentes é essencial, e criticou o recuo dos EUA nesse ponto, especialmente sob a gestão de Donald Trump.
No mesmo painel, ficou evidente o reconhecimento geral da liderança chinesa no setor de veículos elétricos.
Stella Li citou como pontos-chave o aumento da demanda interna, a rápida evolução tecnológica e a densa rede de recarga no país.
Ela afirmou que os EVs estão promovendo não só sustentabilidade, mas também um novo patamar de inovação na China.
A superioridade chinesa também foi tema de entrevistas anteriores de líderes da indústria, como Jim Farley, CEO da Ford.
Ele declarou que empresas americanas como Ford, GM e até mesmo a Tesla não conseguem competir em igualdade com o que tem sido desenvolvido pelas fabricantes chinesas.
Farley apontou que os chineses combinam inovação de ponta com custos muito baixos, além de contarem com subsídios generosos e apoio direto dos governos locais.
Segundo um estudo recente do Center for Strategic and International Studies, a China investiu pelo menos R$ 1,23 trilhão (US$ 230 bilhões) entre 2009 e 2023 para fomentar sua indústria de EVs.
RJ Scaringe, CEO da Rivian, explicou que o diferencial chinês não está em um segredo mágico, mas sim na soma de fatores como o baixo custo de capital e uma política industrial bem estruturada.
Enquanto isso, empresas ocidentais seguem enfrentando um cenário fragmentado, onde as oportunidades existem, mas as certezas são cada vez mais raras.
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