
A China acaba de oficializar uma das regulações mais rigorosas do mundo para o setor de baterias de veículos elétricos.
As “Medidas Provisórias para Gestão da Reciclagem e Utilização de Baterias de Potência Aposentadas de Veículos de Nova Energia” entrarão em vigor em 1º de abril de 2026.
A nova regra exige rastreamento completo das baterias, do momento da fabricação até o descarte final, com foco no controle ambiental e estratégico desse insumo crítico.
A medida determina que as baterias permaneçam com os veículos até o seu desmonte, impedindo a comercialização paralela e o sumiço de unidades descartadas.
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Até agora, a reciclagem de baterias na China enfrentava desafios como alto custo de desmontagem, risco de incêndio e falta de padronização entre os modelos.
Mesmo assim, o país já lidera globalmente a reciclagem de componentes como lítio, níquel, cobalto e manganês, com índices de recuperação superiores a 96%.
No ano passado, o governo chinês criou um comitê técnico nacional para padronizar o setor e, em janeiro, publicou normas específicas para a reciclagem de baterias.
A partir de abril, todo fabricante ou importador de veículos elétricos ou baterias deverá fornecer informações técnicas detalhadas sobre desmontagem em até seis meses após obter a certificação obrigatória.
Além disso, dados como data de venda do veículo, código da bateria e número de série deverão ser informados em até 20 dias após a emissão do certificado de conformidade.
Um sistema nacional de informação será criado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) para rastrear cada bateria ao longo de todo o seu ciclo de vida: produção, venda, reparo, troca, desmontagem, reciclagem e reuso.
A legislação exige que as baterias obedeçam ao padrão GB/T 34014 e obriga o uso de materiais recicláveis e de baixa toxicidade na fabricação.
Fabricantes e importadores terão de instalar estações de coleta e reciclagem nas regiões onde seus produtos são vendidos, e manter canais de contato públicos atualizados.
Esses pontos deverão aceitar todas as baterias aposentadas, independentemente da origem — mesma obrigação imposta aos vendedores de veículos elétricos no país.
Já empresas de troca de baterias ou serviços de manutenção deverão enviar os itens descartados a recicladoras licenciadas ou aos centros de reciclagem das próprias montadoras.
O uso de baterias recicladas também será regulado: nenhuma empresa poderá reutilizá-las sem autorização oficial.
Segundo o portal Autohome, a China espera gerar 1 milhão de toneladas de baterias descartadas até 2030.
Em 2025, o mercado de reciclagem já movimentou 558 bilhões de yuans, o equivalente a R$ 18,9 bilhões.
A gigante Brunp, associada à CATL, lidera o setor com 50,4% de participação e capacidade para processar até 120 mil toneladas de resíduos por ano.
O país vê a reciclagem como uma prioridade ecológica e também estratégica, já que o controle sobre materiais críticos pode garantir soberania tecnológica e industrial.
Com as novas regras, o governo pretende ampliar a infraestrutura de reciclagem, combater o descarte irregular e garantir que cada bateria seja rastreada — e reaproveitada — da forma correta.
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