China corta incentivos fiscais para exportações de baterias, painéis solares e produtos químicos

metais para baterias china
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A China anunciou que vai cortar ou eliminar reembolsos fiscais sobre centenas de produtos exportados, numa tentativa de aliviar tensões comerciais com parceiros como Estados Unidos e União Europeia.

A partir de 1º de abril de 2026, o governo chinês retirará os rebates de imposto sobre valor agregado (IVA) para 249 itens, entre eles células solares, telhas cerâmicas e o composto químico hexafluorofosfato de lítio, utilizado em baterias.

Outros 22 produtos relacionados a baterias, incluindo baterias de íons de lítio, terão seus reembolsos reduzidos de 9% para 6%. A eliminação total desses benefícios está prevista para 1º de janeiro de 2027.

A decisão foi divulgada nesta sexta-feira pelo Ministério das Finanças da China e faz parte de uma estratégia voluntária de Pequim para moderar o crescimento das exportações e demonstrar boa vontade diante de uma crescente pressão internacional.

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Mesmo com uma trégua tarifária temporária com os EUA, a China ainda enfrenta fortes críticas de parceiros europeus sobre desequilíbrios comerciais.

Segundo analistas do Citigroup, o país já havia adotado medidas como exigência de licenças para exportações de aço e carros elétricos, antecipando esse movimento de contenção.

Michelle Lam, economista para a Grande China no Société Générale, afirmou que os cortes ajudam, mas ainda são insuficientes diante do tamanho do superávit comercial acumulado nos últimos anos.

O setor solar chinês, por exemplo, enfrenta um cenário de excesso de produção e forte queda nos preços.

Ao remover os incentivos fiscais, o governo pode acelerar a saída de empresas mais frágeis e dependentes das vendas externas, o que ajudaria a aliviar o excesso de oferta, segundo a consultoria Trivium China.

Além da questão comercial, a medida também tem efeito fiscal.

Os benefícios concedidos a exportadores cresceram 5,6% em 2025, totalizando quase 2 trilhões de yuans (cerca de R$ 1,4 trilhão) nos primeiros 11 meses do ano — o equivalente a 8% da arrecadação pública no período.

Ao reduzir os reembolsos, Pequim tenta reforçar sua base de receitas num momento em que enfrenta desafios para manter o ritmo de crescimento econômico.

Especialistas avaliam que a retirada de incentivos pode ter impactos profundos sobre cadeias globais, especialmente em setores como energia limpa e armazenamento, onde a China domina a oferta.

Embora ainda seja incerta a reação imediata dos parceiros comerciais, o movimento sinaliza uma tentativa clara da China de ajustar sua postura diante das críticas internacionais sobre práticas comerciais desleais.

Agora, resta saber se essas mudanças serão suficientes para evitar novas sanções, sobretaxas ou barreiras não tarifárias em mercados estratégicos.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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