
O maior medo de qualquer bateria moderna não é a descarga, e sim o que acontece quando uma falha vira reação em cadeia, e a China acaba de anunciar um avanço para cortar esse risco na raiz.
Um time da Chinese Academy of Sciences desenvolveu uma bateria de íon-sódio que elimina a fuga térmica em nível de ampere-hora, segundo reportagem do IT-Home sobre um artigo publicado em 6 de abril na Nature Energy.
A pesquisa foi liderada por Hu Yongsheng, do Institute of Physics, e apresenta um eletrólito polimerizável não inflamável, chamado de polymerisable non-flammable electrolyte (PNE).
A proposta é ir além de soluções tradicionais que dependem de aditivos antichama, criando um esquema de proteção em camadas que combina estabilidade térmica, estabilidade de interface e isolamento físico.
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O ponto central do funcionamento aparece quando a temperatura interna ultrapassa 150°C, momento em que o eletrólito deixa de agir como líquido e passa a formar uma barreira em estado sólido.
Essa transição cria uma camada de separação dentro da própria célula, bloqueando a propagação de calor e interrompendo os gatilhos que alimentariam reações em cadeia.
Na prática, o mecanismo foi pensado para parar a propagação da falha, e não apenas atrasar a ignição, atacando uma limitação frequente nas estratégias de segurança convencionais.
A validação foi feita em uma célula cilíndrica de íon-sódio com 3,5 Ah, usada para testar o comportamento do sistema sob condições de abuso extremo.
No ensaio de perfuração com prego, o resultado relatado foi ausência de fumaça ou fogo, um conjunto de sinais que normalmente acompanha a perda de controle térmico.
O estudo também afirma que não houve fuga térmica mesmo com temperaturas chegando a 300°C, sugerindo interrupção completa dos caminhos de propagação sob estresse severo.
Segundo os dados divulgados, a melhoria de segurança não derrubou o desempenho, com operação declarada entre -40°C e 60°C e estabilidade em tensões acima de 4,3 V.
A densidade de energia atingiu 211 Wh/kg no nível de célula, número relevante para uma química que costuma ser defendida por custo e segurança.
O trabalho é ligado à Zhongke Haina (HiNa), desenvolvedora de baterias de íon-sódio criada a partir do mesmo instituto e citada como ponte para industrialização.
A HiNa divulgou que testes em caminhões pesados indicaram cerca de 15% menor consumo de energia por quilômetro e aproximadamente 20% mais alcance em condições típicas, com uso comercial inicial já em andamento.
No custo, a empresa projeta paridade com sistemas de íon-lítio por volta de 2027 e uma sobreposição de faixas de preço em 2028 conforme a produção ganhe escala.
Em paralelo, a BAIC afirmou ter uma bateria de íon-sódio com carga completa em cerca de 11 minutos, operação estável entre -40°C e 60°C e resistência a condições de abuso em alta temperatura.
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