China se prepara para inundar o mercado mundial com EVs ainda mais baratos, na faixa dos R$ 70 mil

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O mercado global de carros elétricos está prestes a enfrentar uma nova realidade, impulsionada por uma ofensiva agressiva da indústria automotiva chinesa.

Durante o Salão de Guangzhou, diversos modelos de EVs e híbridos plug-in foram apresentados com preços entre 100 mil e 150 mil yuans — algo entre R$ 70 mil e R$ 105 mil.

Essa faixa de entrada sinaliza um objetivo claro: a China quer dominar o segmento de massa da eletrificação, e para isso está pronta para exportar esses modelos em larga escala.

Montadoras como Leapmotor, Nio e GAC lideram essa investida com veículos acessíveis e prontos para chegar a mercados estrangeiros já em 2026.

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O Leapmotor A10, por exemplo, foi revelado com preço estimado em 100 mil yuans, e terá exportação global.

Outro destaque foi o Nio Firefly, exibido pela primeira vez com volante à direita, já de olho em mercados como América Central e Oceania.

O SUV GAC Aion i60, com extensor de autonomia, também entra na briga a partir de 109.800 yuans, cerca de R$ 77 mil.

Segundo dados da Nikkei Asia, mais de 2,35 milhões de EVs e PHEVs nessa faixa de preço foram vendidos nos nove primeiros meses de 2025 — número que supera com folga o total do mesmo período no ano anterior.

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Isso fez desse o segmento mais popular na China, deixando para trás até mesmo modelos mais caros, que mantiveram vendas estáveis.

Mas a guerra de preços também está cobrando seu preço.

Apesar do aumento nas vendas, montadoras como BYD e Great Wall registraram quedas de 30% no lucro líquido no terceiro trimestre, refletindo o impacto da compressão de margens.

Mesmo assim, a estratégia continua sendo volume.

Modelos ainda mais baratos, na faixa dos R$ 56 mil ou menos, dobraram em vendas, ultrapassando 1 milhão de unidades comercializadas em 2025.

Enquanto o mercado interno se transforma, o foco agora é global.

Nos três primeiros trimestres deste ano, a China exportou 1,75 milhão de veículos eletrificados, um salto de 89% em relação ao mesmo período de 2024.

Para marcas tradicionais ocidentais, que ainda lutam com altos custos de produção e metas ambientais rigorosas, essa ofensiva chinesa representa mais do que concorrência: é o prenúncio de uma reviravolta comercial.

A chegada desses modelos a preços agressivos pode provocar uma reestruturação mundial no setor automotivo, forçando fabricantes históricos a reverem custos, posicionamento e até estratégias de sobrevivência.

Se a tendência se confirmar, a próxima geração de elétricos globais poderá ter DNA chinês — e preço imbatível.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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