Clientes da Toyota acusam empresa de os mandar para o SPC, mesmo com orientação de suspender pagamento de parcelas

Placa com o logotipo e o nome Toyota, diante de uma bandeira da marca.
Placa com o logotipo da Toyota e uma bandeira da marca ao fundo.

A crise envolvendo o Toyota Mirai ganhou um novo capítulo explosivo e agora afeta diretamente o bolso e o crédito de seus proprietários.

Poucas semanas após ser alvo de um processo de aproximadamente R$ 30,6 bilhões, a montadora passou a enfrentar acusações vindas dos próprios clientes.

Donos do sedã movido a hidrogênio afirmam que foram orientados pela Toyota a suspender pagamentos mensais durante a disputa judicial.

Mesmo assim, muitos relatam que acabaram enviados para empresas de cobrança, sofrendo impactos severos em seus históricos financeiros.

O advogado Jason Ingber, que representa os autores da ação coletiva, afirma que a montadora deu garantias formais de que os pagamentos poderiam ser pausados.

Segundo ele, a justificativa era o colapso da infraestrutura de abastecimento de hidrogênio, que deixou milhares de veículos praticamente inutilizáveis.

Com poucos postos funcionando, muitos proprietários dizem ter ficado presos a carros caros que mal conseguem rodar no dia a dia.

Carro Toyota Mirai azul estacionado sobre piso de placas cinza.
Toyota Mirai azul fotografado em uma área pavimentada, com a identificação do modelo visível na lateral.

A frustração aumentou quando notificações de inadimplência começaram a surgir, mesmo após as supostas autorizações de suspensão.

Ingber classificou a situação como “um caos dentro do caos”, afirmando que clientes foram pegos completamente de surpresa.

Alguns, diante da incerteza, voltaram a pagar as parcelas, enquanto outros já lidavam com registros negativos no crédito.

Um dos casos mais emblemáticos é o de Anthony Escobedo, que mantinha um score considerado exemplar antes do episódio.

Após seguir as orientações da própria Toyota, ele teve sua dívida enviada para cobrança e viu sua pontuação despencar cerca de 100 pontos.

A queda o impediu de conseguir um empréstimo sem juros para cobrir despesas médicas da esposa, agravando ainda mais o drama pessoal.

Sedã azul estacionado diante de um edifício, visto de lado e pela traseira, com rodas de muitos raios.
Sedã azul da Toyota está estacionado diante de um edifício, em uma imagem que destaca o perfil e a traseira do veículo.

Embora a Toyota tenha posteriormente revertido o registro de atraso, o score de crédito não voltou ao patamar anterior.

Situação semelhante foi relatada por Julie Doumit, que havia pago 46 parcelas seguidas do Mirai sem qualquer atraso.

Mesmo assim, após interromper os pagamentos com base nas orientações recebidas, ela teve o nome enviado a coletores de dívida.

O resultado foi uma perda aproximada de 70 pontos em sua pontuação de crédito.

Outro proprietário, Alejandro King, disse que seu score caiu cerca de 150 pontos, partindo de um nível considerado excepcional.

Ele afirmou nunca ter atrasado uma conta desde os 18 anos e relatou impacto emocional profundo após o ocorrido.

Internamente, acredita-se que houve falhas de comunicação dentro da própria Toyota.

Funcionários teriam ignorado ou não visualizado anotações indicando que certos contratos estavam temporariamente suspensos.

Com isso, os sistemas teriam sinalizado automaticamente os clientes como inadimplentes.

O pano de fundo de toda a controvérsia é a ação judicial baseada na lei RICO, que acusa a Toyota de operar um esquema deliberado.

Segundo o processo, a empresa teria trabalhado com concessionárias e braços financeiros para vender o Mirai mesmo conhecendo falhas graves.

Técnicos teriam classificado o modelo como um risco potencial, citando vazamentos de hidrogênio próximos a componentes quentes.

As acusações apontam que esses problemas foram ocultados dos consumidores.

Agora, além da batalha jurídica bilionária, a Toyota enfrenta uma crise de confiança com clientes que se dizem traídos.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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