Com queda nos EVs, Ford e GM mudam de rota e agora apostam em baterias para casas e empresas

tesla powerwall (2)
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Montadoras americanas estão redesenhando seus planos diante da desaceleração nas vendas de veículos elétricos e agora investem pesado no setor de armazenamento de energia.

Com fábricas bilionárias construídas para produzir baterias de EVs, Ford , GM e outras empresas veem nesse novo mercado uma forma de rentabilizar ativos que estavam sob risco.

O armazenamento de energia usa a mesma tecnologia central das baterias automotivas, mas com aplicação voltada para residências, empresas e até concessionárias de energia elétrica.

A Tesla foi pioneira nesse segmento com o lançamento do Powerwall em 2015, e agora sua divisão de energia já responde por 20% da receita total da empresa — com margens de lucro que dobram as do setor automotivo.

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Seguindo o exemplo, a Ford anunciou no fim de 2025 a conversão de parte de sua nova fábrica no Kentucky, antes dedicada exclusivamente a veículos elétricos, para produção de baterias voltadas a sistemas de energia.

Outro investimento está sendo feito em Marshall, Michigan, onde parte da planta será usada para fabricar baterias residenciais, enquanto outra linha segue dedicada a uma futura picape elétrica de porte médio.

A Ford já destinou mais de R$ 64 bilhões para essas instalações e agora direciona mais R$ 10,8 bilhões especificamente para seu novo braço energético.

A General Motors, por sua vez, fundou a GM Energy e lançou em 2024 o PowerBank, concorrente direto do Powerwall da Tesla.

Além do produto residencial, a divisão também oferece adaptadores, sistemas de carregamento e tecnologias que permitem usar o próprio carro como fonte de energia para a casa.

Segundo a GM, as vendas da unidade de energia multiplicaram por cinco desde janeiro de 2025, com crescimento de receita de 30% mês a mês.

Uma das apostas da montadora é reaproveitar baterias usadas de carros elétricos em aplicações estacionárias, em parceria com a Redwood Materials.

A demanda por esse tipo de solução está em alta, impulsionada pela explosão de data centers e a eletrificação de sistemas residenciais e comerciais.

A Administração de Informação de Energia dos EUA aponta crescimento no consumo elétrico após anos de estagnação, e estados como a Califórnia já estabelecem metas específicas para adoção de baterias na rede elétrica.

Mesmo assim, analistas alertam que o mercado ainda é recente e cercado de incertezas.

Especialistas como Ramteen Sioshansi, da Universidade Carnegie Mellon, afirmam que, caso muitas montadoras entrem nesse setor de forma simultânea, o risco de excesso de oferta é real.

Além disso, o armazenamento de energia exige uma abordagem de mercado diferente da venda de veículos, com clientes, formatos e estratégias próprias.

Enquanto as baterias automotivas precisam ser leves e compactas, as estacionárias priorizam volume e capacidade.

A Ford, por exemplo, não tem histórico nesse setor, mas conta com a parceria da gigante chinesa CATL, líder mundial na fabricação de baterias, para fornecer a tecnologia de sua fábrica em Michigan.

Outro atrativo para o setor são os incentivos fiscais oferecidos pelo governo americano para empresas que produzem sistemas de energia fora da esfera de países considerados estratégicos, como a China.

Com a queda de participação dos EVs no mercado — que caiu de 10% para menos de 6% entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025 —, a aposta em energia pode se tornar o novo filão para montadoras que buscam sobreviver à transformação do setor automotivo.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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