
A transformação radical da Jaguar em uma marca exclusivamente elétrica tem provocado mais tensão do que entusiasmo, tanto entre os fãs quanto dentro das concessionárias.
Enquanto o público expressa ceticismo nas redes sociais, são os lojistas que enfrentam os riscos reais dessa mudança drástica.
Reportagem do jornal alemão Automobilwoche revelou que parte da rede de concessionárias europeias questiona abertamente a viabilidade do novo plano estratégico da Jaguar.
De acordo com um dos representantes ouvidos, simplesmente não há um “business case” que justifique a permanência com a marca, caso ela não prove ser lucrativa nesse novo posicionamento.
Veja também
O plano de eletrificação total foi idealizado em 2021, ainda sob a gestão do ex-CEO Thierry Bolloré, e prevê a substituição completa da linha atual por apenas três modelos elétricos — todos com preços muito acima do que a Jaguar tradicionalmente praticava.

A primeira amostra desse novo rumo veio com o controverso Type 00 Concept, revelado no final de 2024, com inspiração no clássico E-Type, mas com linhas futuristas que dividiram opiniões.
O modelo de produção, inicialmente previsto para 2025, foi adiado, embora a marca prometa que ele será lançado ainda este ano.
Protótipos flagrados em testes revelam que o carro final terá quatro portas, abandonando o estilo cupê do conceito original.
Segundo a Jaguar, haverá versões com até 1.000 cv e autonomia de cerca de 640 km — números ambiciosos, mas que levantam dúvidas quanto ao seu público-alvo.
Apesar do atraso, a decisão mais ousada da marca foi encerrar completamente a produção da linha atual antes de lançar os novos EVs.
As vendas já foram suspensas em vários mercados, incluindo o Reino Unido, berço da Jaguar, o que deixou muitas concessionárias à deriva.
Algumas delas, por sorte, compartilham estrutura com a Land Rover e conseguem manter as operações, mas o clima é de expectativa tensa.
Na Alemanha, o presidente do grupo de revendedores Jaguar Land Rover, Andreas Everschneider, classificou a transição como uma “oportunidade”, mas admitiu que ainda há muitas dúvidas.
Ele revelou que, no país, os novos modelos serão oferecidos exclusivamente via leasing, estratégia que não se repetirá em todos os mercados.
Outra informação que preocupa os parceiros é a meta de vendas extremamente modesta da Jaguar para essa nova fase.
Fontes ligadas à rede indicam que a marca planeja vender apenas 10 mil carros por ano, número próximo ao de marcas como Bentley e Ferrari, mas muito abaixo dos cerca de 60 mil veículos que a Jaguar vendia anualmente até pouco tempo.
Essa redução drástica reforça o novo posicionamento da Jaguar como marca de luxo ultrasseletiva, com foco em margens maiores e exclusividade.
Nos Estados Unidos, os novos modelos devem partir de US$ 130 mil — cerca de R$ 700 mil, considerando o câmbio atual.
As encomendas devem ser abertas na primavera do hemisfério norte, e as concessionárias já começaram a receber treinamentos específicos para atender um perfil de cliente muito diferente daquele tradicional da Jaguar.
No entanto, entre incertezas de mercado, falta de produtos e uma base de fãs frustrada, o sucesso desse reposicionamento segue sendo uma aposta de alto risco.
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










