
Revendedores de carros nos Estados Unidos estão diante de um dilema que expõe contradições profundas entre discurso político e interesses comerciais.
Embora boa parte das concessionárias mantenha forte alinhamento com Donald Trump — apoiando suas campanhas, contribuindo financeiramente e endossando políticas comerciais protecionistas — muitos desses mesmos empresários demonstram ambivalência em relação a um dos principais projetos do ex-presidente: banir veículos chineses do mercado americano.
Durante o tradicional NADA Show, o maior evento do setor nos EUA, o assunto dividiu opiniões entre os líderes do setor automotivo.
Para alguns, impedir a entrada de carros produzidos na China seria uma medida importante para proteger a indústria local e conter a influência de um concorrente estatal altamente subsidiado.
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Mas, na prática, muitos dealers veem nas montadoras chinesas uma oportunidade irresistível.
Segundo George Karolis, presidente da Presidio Group, uma consultoria especializada em fusões e aquisições de concessionárias, os próprios revendedores reconhecem esse paradoxo.
“Em nossas pesquisas de final de ano, a maioria vê os carros chineses como uma ameaça e uma oportunidade ao mesmo tempo”, afirmou.
Isso porque, mesmo com as tensões geopolíticas e a retórica protecionista em alta, os carros oriundos da China têm se mostrado tecnologicamente avançados, bem acabados e significativamente mais baratos que os modelos equivalentes de marcas tradicionais.
Com o preço médio dos veículos novos nos EUA ultrapassando os US$ 48 mil — cerca de R$ 249 mil pela cotação atual — os chineses chegam com uma proposta difícil de ignorar, especialmente para consumidores com orçamento mais apertado.
Diversos dealers ouvidos anonimamente reconheceram que, se uma marca chinesa conseguir oferecer estoque consistente, bons produtos e preços competitivos, eles estarão prontos para vender — mesmo que, oficialmente, o lobby do setor defenda o contrário.
A tensão mostra que o nacionalismo econômico defendido por Trump bate de frente com as necessidades do varejo automotivo, que lida com margens apertadas, metas agressivas e um consumidor cada vez mais sensível ao preço.
Ao mesmo tempo, o avanço da China na produção de EVs e o apoio estatal a essas montadoras reforçam a sensação de que, se o mercado americano abrir as portas, será difícil competir com as condições oferecidas por essas novas rivais.
Por ora, o discurso oficial ainda tenta conciliar patriotismo com pragmatismo — mas, diante de uma crise de acessibilidade nos preços dos carros, é provável que os interesses comerciais acabem falando mais alto.
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