
Poucos mercados ainda obrigam o consumidor a negociar com um intermediário por lei, e é justamente isso que faz a compra de um carro continuar parecendo mais difícil do que deveria.
Um novo estudo do International Center for Law & Economics (ICLE), organização sem fins lucrativos, afirma que as leis estaduais que forçam a venda via concessionárias franqueadas encarecem o carro novo.
Segundo o ICLE, essa exigência adiciona entre US$ 3.934 (R$ 20.400) e US$ 4.992 (R$ 25.900) ao preço de transação de um carro novo.
O centro descreve esse impacto como uma “middleman tax”, algo como um imposto do atravessador, ao sustentar que o modelo de franquias embute ineficiências repassadas ao comprador.
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O levantamento usa como referência um preço médio de carro novo nos Estados Unidos, de US$ 50.000 (R$ 259.100) e atribui parte do aumento ao custo de manter veículos em estoque.
Só a necessidade de segurar inventário, segundo o estudo, adiciona de US$ 1.045 (R$ 5.400) a US$ 1.105 (R$ 5.700) em “carrying costs”, agravados por juros de floorplan entre 6% e 9%.
Outro bloco de custo apontado é de US$ 1.600 (R$ 8.300) relacionado a esforços para girar esse estoque, que nem sempre reflete a demanda real do cliente.
Além disso, a estrutura física e a folha de pagamento aparecem como despesas que os autores chamam de evitáveis, somando cerca de US$ 1.200 (R$ 6.200) a US$ 1.900 (R$ 9.800).
As leis de franquia, lembra o estudo, nasceram no começo da indústria automotiva para proteger revendedores independentes de competição considerada desleal por parte das próprias montadoras.
O problema, na visão do ICLE, é que esse arcabouço teria passado do ponto e hoje preservaria um canal incumbente, em vez de gerar benefício direto ao consumidor.
O texto diz que “proteger um canal de distribuição estabelecido não é o mesmo que proteger consumidores” e defende permitir que fabricantes concorram com modelos diferentes de venda.
A discussão ficou mais visível quando a Tesla desafiou as regras estaduais com o modelo de vendas diretas há mais de uma década, abrindo espaço para outras startups de EVs.
Essas empresas argumentam que, por serem novas entrantes, não teriam obrigação de operar por meio de concessionárias franqueadas já instaladas.
Agora, esse embate ganha novo capítulo com a Scout, marca do Grupo Volkswagen que planeja vender diretamente ao cliente e já enfrenta contestação jurídica de concessionários franqueados de outras marcas do grupo.
A tensão se soma ao desgaste histórico do varejo automotivo, que nunca consolidou reputação de transparência e, segundo o estudo, ainda estaria cobrando caro por uma intermediação imposta.
A polêmica voltou ao noticiário com imagens de veículos da Ford alinhados no pátio da Metro Ford, em Miami, registradas em 6 de maio de 2025 por Joe Raedle/Getty Images.
Até um cenário comum, como a vitrine de uma concessionária da Mercedes-Benz em Nova York, ajuda a ilustrar o ponto central: o estudo quer transformar a forma de vender carro, mexendo numa das engrenagens mais protegidas do setor.
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