Concorrência chinesa vai fechar até 8 fábricas de carros na Europa, alerta consultoria

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A indústria automobilística europeia enfrenta uma tempestade perfeita: demanda estagnada, fábricas operando bem abaixo da capacidade ideal e a chegada cada vez mais forte das montadoras chinesas, como a BYD.

Segundo a consultoria AlixPartners, o continente pode ver até oito fábricas fecharem as portas nos próximos anos, à medida que o setor passa por um doloroso processo de reestruturação.

Hoje, as fábricas de carros na Europa estão operando em média com apenas 55% de sua capacidade — um índice que torna a operação inviável para a maioria das montadoras.

No caso da Stellantis, grupo que reúne marcas como Fiat, Peugeot, Citroën e Alfa Romeo, o cenário é ainda pior: apenas 45% de utilização, o menor nível entre os grandes fabricantes, segundo a análise da consultoria.

Carrocerias brancas sem acabamento são montadas por braços robóticos em uma fábrica, com passarelas amarelas ao redor.
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“O avanço das montadoras chinesas será inevitável. Estimamos que entre 1 a 2 milhões de unidades vendidas na Europa nos próximos anos irão migrar para marcas da China”, afirmou Fabian Piontek, diretor da AlixPartners na Alemanha.

Só em 2024, as chinesas devem alcançar 5% de participação no mercado europeu — número que pode dobrar até 2030.

O alerta é claro: com fábricas desenhadas para produzir ao menos 250 mil veículos por ano, o excesso de capacidade instalada se tornará insustentável se os chineses venderem 2 milhões de carros por ano no continente.

Isso significaria, de forma direta, oito fábricas a mais do que o mercado europeu comporta.

mercedes fabrica getz
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Fechar uma planta, no entanto, é um processo lento, caro e politicamente complexo. Na Alemanha, por exemplo, representantes dos trabalhadores participam dos conselhos de administração das empresas e podem barrar decisões como essa.

A AlixPartners estima que encerrar as atividades de uma grande fábrica com 10 mil funcionários pode custar cerca de €1,5 bilhão (mais de R$ 8 bilhões), com um tempo de execução que varia entre um e três anos.

Recentemente, a Volkswagen precisou suspender por uma semana a produção em Zwickau, enquanto a Stellantis interrompeu temporariamente a fabricação de modelos como o Fiat Panda e o Alfa Romeo Tonale.

São sinais claros de uma indústria que já começou a apertar os cintos.

mb cla fabrica 5
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Embora as entregas de veículos tenham crescido modestos 0,9% em 2023, ainda estão muito abaixo dos níveis registrados antes da pandemia.

Segundo dados da ACEA (Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis), o mercado continua sem fôlego, mesmo com incentivos e lançamentos.

O que antes era um reduto consolidado da indústria global, agora se vê pressionado por novos players com custos mais baixos e veículos eletrificados mais competitivos.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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