Crescimento explosivo da BYD faz marca querer furar barreira para escapar de tarifas de até 110% na India

Logotipo branco da BYD em painel curvo vermelho e preto, sob iluminação de um estande.
O logotipo da BYD aparece em um painel de exposição iluminado, em imagem reutilizada da biblioteca do Notícias Automotivas.

A crescente demanda por veículos elétricos na Índia está levando a chinesa BYD a rever sua estratégia para o país, com planos de ampliar sua presença local por meio de montagem parcial de veículos.

A fabricante estuda iniciar operações de montagem em regime SKD (semi knock-down), em que os carros chegam parcialmente desmontados e são finalizados no destino — uma alternativa mais barata e com menos barreiras regulatórias do que importar veículos completamente montados.

A proposta surge após a Índia ter rejeitado, anteriormente, um projeto de fábrica completa da marca, durante um período de forte desconfiança em relação a investimentos chineses.

Mesmo com esse obstáculo, executivos da BYD seguem avaliando o mercado indiano de perto e têm mantido visitas técnicas e gerenciais ao país, embora membros da alta cúpula tenham adiado viagens planejadas em 2023.

Nos bastidores, a empresa também trabalha para obter certificações de segurança e regulamentação local para ampliar o número de modelos autorizados para importação.

Hoje, as regras indianas limitam a entrada de veículos totalmente montados a apenas 2.500 unidades por modelo por ano, o que tem se mostrado um gargalo diante da crescente procura por carros da BYD.

As vendas da marca na Índia saltaram cerca de 88% em 2023, atingindo aproximadamente 5.500 unidades, mesmo com tarifas de importação que chegam a 110%.

A montagem local em SKD permitiria reduzir esses impostos para 30%, o que abriria margem para ampliar a oferta e manter os preços competitivos.

A empresa comercializa atualmente os modelos Atto 3 e eMax7 no país, ambos aprovados para importações além do limite anual, além dos recém-chegados Sealion 7 e Seal.

O Atto 3, por exemplo, parte de 2,5 milhões de rúpias — cerca de R$ 141 mil — mesmo com a alta taxa de importação de 70%, colocando-o entre as opções premium do mercado de elétricos, mas ainda abaixo dos valores da Tesla.

Já o Sealion 7, que vendeu 2.200 unidades no país no ano passado, custa entre 4,9 e 5,5 milhões de rúpias, enquanto o Tesla Model Y parte de 6 milhões.

A diferença de preços tem dado vantagem à BYD, especialmente diante da dificuldade da Tesla em vencer as mesmas barreiras tarifárias e regulatórias.

Apesar da retomada de voos diretos entre Índia e China e de uma leve distensão diplomática, o apoio governamental indiano à expansão de empresas chinesas segue inconsistente.

Ainda assim, a BYD vê no mercado indiano uma oportunidade estratégica diante do desaquecimento das vendas domésticas na China, impulsionado pela redução de subsídios e pela concorrência feroz no segmento de EVs.

A meta da empresa é ousada: aumentar as entregas fora da China em cerca de 25% em 2026, chegando a 1,3 milhão de unidades — e a Índia deve ter papel central nessa trajetória.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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