
Um erro de cálculo bilionário colocou a Stellantis no centro de uma crise financeira sem precedentes no setor automotivo europeu.
A montadora anunciou que fará uma baixa contábil de €22 bilhões — o equivalente a cerca de R$ 136 bilhões — após admitir que superestimou a velocidade da transição para os EVs.
A revelação derrubou suas ações em mais de 25% na bolsa de Milão, apagando cerca de R$ 38 bilhões em valor de mercado em apenas um dia.
Segundo o CEO Antonio Filosa, a companhia se distanciou da realidade dos consumidores ao planejar uma ofensiva elétrica em ritmo acelerado demais.
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Ele também reconheceu falhas operacionais graves herdadas da gestão anterior, agora sob correção pela nova liderança.

Dos €22 bilhões de impacto, cerca de R$ 93 bilhões estão ligados à revisão de planos de produto e adequação às novas exigências ambientais nos EUA.
A montadora cancelou projetos como a Ram 1500 BEV, que havia sido anunciada como um divisor de águas no segmento de picapes elétricas.
O cancelamento foi atribuído à necessidade de alinhar os lançamentos à demanda real dos consumidores e às mudanças no ambiente regulatório americano.
Nos últimos anos, os EUA recuaram em incentivos à eletrificação, como a retirada do crédito fiscal de US$ 7.500, afetando diretamente a viabilidade dos EVs no país.
Além disso, a Stellantis confirmou que não pagará dividendos aos acionistas em 2026, como parte de seu plano de contenção de gastos.

Outros €6,5 bilhões — cerca de R$ 40 bilhões — serão pagos em caixa ao longo dos próximos quatro anos, refletindo ajustes financeiros operacionais.
Como parte da reestruturação, a montadora também venderá sua participação de 49% na joint venture de baterias com a NextStar Energy no Canadá.
A compradora será a sul-coreana LG Energy Solution, que assumirá o controle da operação conjunta.
Analistas do Citi alertam que, apesar da magnitude da reestruturação, o plano ainda não contempla cortes profundos como fechamento de fábricas.
Para eles, a redução de capacidade nas operações da América do Norte e Europa será inevitável se a empresa quiser restaurar sua competitividade.
A Stellantis reconhece que sua meta de 100% das vendas na Europa e 50% nos EUA em EVs até 2030 pode estar fora da realidade atual.
A companhia afirma que continuará investindo na eletrificação, mas agora com foco em atender à demanda real, e não a metas impostas.
Enquanto isso, rivais como Ford e GM também contabilizam prejuízos com o desaquecimento do mercado elétrico: US$ 19,5 bilhões e US$ 6 bilhões, respectivamente.
A Stellantis prepara uma atualização de sua estratégia global para maio, em meio a um cenário de descrença entre investidores.
Em 2023, a empresa havia anunciado um plano ambicioso de R$ 80 bilhões em investimentos nos EUA, com 10 novos modelos e 5 mil empregos.
Agora, parte desse otimismo vira pó diante de uma reavaliação drástica de rumo, determinada pelo mercado e pela realidade das ruas.
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