
Mesmo sob pressão do governo chinês, as montadoras globais e suas redes de concessionárias começaram 2026 com uma nova rodada de cortes agressivos de preços e incentivos à compra.
Na última semana, a BMW atualizou sua tabela oficial de preços na China com reduções em 31 modelos, incluindo cortes de até 301 mil yuans (cerca de R$ 231 mil) no elétrico topo de linha i7 M70L.
O modelo iX1 eDrive25L teve o maior desconto proporcional: 24%, passando a custar 228 mil yuans.
A fabricante alemã justificou os cortes como parte de uma “gestão regular de preços”, ressaltando que os valores finais são definidos nas negociações entre clientes e concessionárias autorizadas.

Mas analistas apontam que os ajustes visam aproximar os preços sugeridos dos valores efetivamente praticados no varejo, que já vinham caindo nos últimos anos.
Outras montadoras, como Volkswagen e General Motors, também reativaram campanhas de preços fixos e bônus logo na primeira semana do ano, em resposta à demanda enfraquecida.
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Enquanto os consumidores nos Estados Unidos enfrentam carros caros e financiamento difícil, o mercado chinês vive uma realidade oposta: queda de preços constante e estoques encalhados.
Em novembro, as vendas caíram pelo segundo mês consecutivo, segundo a Associação Chinesa de Carros de Passeio, agravando o excesso de oferta.
Para tentar conter a escalada de descontos, o governo publicou diretrizes que proíbem práticas como vender veículos abaixo do custo de produção e oferecer bônus que burlem essa regra.
A preocupação das autoridades é com uma possível espiral deflacionária, que prejudicaria fornecedores, pressionaria salários e incentivaria o uso de peças mais baratas e de menor qualidade.
Mesmo assim, montadoras seguem promovendo incentivos, especialmente diante da urgência em bater metas de vendas no primeiro trimestre.
Com o Ano Novo Chinês se aproximando em fevereiro, a expectativa é de ainda mais promoções no varejo automotivo.
Segundo Li Yanwei, consultor da Associação de Concessionárias da China, a estratégia da BMW ajuda a aliviar a pressão nas negociações de showroom, mas não impede que os clientes exijam mais vantagens.
Tesla e Xiaomi adotaram caminhos diferentes, apostando em ofertas financeiras: a Tesla lançou planos com juros reduzidos em até sete anos, enquanto a Xiaomi oferece financiamento sem juros por três anos no SUV YU7 e pacotes de acessórios para o SU7 Ultra.
Chery e outras marcas locais, por sua vez, estão apostando em bônus de fábrica para trocas de veículos, uma alternativa aos subsídios federais, que foram reduzidos pelas novas regras do governo.
Embora o momento coincida com a temporada promocional de início de ano, especialistas apontam que os descontos refletem problemas estruturais mais profundos no setor.
Desde o começo de janeiro, pelo menos 14 marcas ativaram algum tipo de incentivo comercial, incluindo cortes diretos, financiamento facilitado e bônus por troca.
A expectativa do setor é que essas táticas continuem em 2026, já que o excesso de capacidade, a desaceleração das vendas e a competição acirrada seguem sem solução no maior mercado automotivo do mundo.
