
Comprar um carro novo nos Estados Unidos nunca foi tão caro, e mesmo assim a sensação de muitos motoristas é de que o verdadeiro custo começa depois da entrega das chaves.
Dados da Kelley Blue Book indicam que, em 2025, o valor médio final de um zero quilômetro passou de US$ 50.000, algo em torno de R$ 261.220 na conversão direta.
O preço médio de tabela, o famoso MSRP, já supera US$ 52.000, aproximadamente R$ 271.669, mas isso não impediu as montadoras de perseguirem novas fontes de receita mensais.
Em vez de limitar a cobrança a serviços conectados, várias marcas passaram a trancar funções que já estão fisicamente presentes no carro atrás de paywalls e assinaturas recorrentes.
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Navegação mais completa, hotspot Wi-Fi e sistemas de condução semiautônoma como o Super Cruise da GM já nasceram com “cadeado digital” e mensalidade para liberar o uso total.

Nos últimos anos, a ofensiva ficou mais agressiva, com casos como o da Volkswagen cobrando uma mensalidade para destravar toda a potência de alguns motores da linha.
A BMW virou símbolo do exagero ao testar assinatura para uso dos bancos aquecidos, ideia que gerou tamanha rejeição pública que a marca foi obrigada a recuar em vários mercados.
A Mazda tentou migrar a partida remota do controle físico para o aplicativo Connected Services, passando a cobrar cerca de US$ 10 por mês, algo próximo de R$ 52,24, e depois voltou atrás diante da reação negativa.
No agregado, pesquisas da S&P Global mostram que só 35% dos americanos se dizem dispostos a pagar por assinatura automotiva, o maior índice entre oito países analisados, ainda assim claramente minoritário.
A rejeição é alimentada pela fadiga geral com modelos de assinatura: levantamento da Bango aponta que 25% dos americanos já gastam mais de US$ 100 mensais, mais de R$ 522, com serviços diversos.
Aplicativos especializados surgiram apenas para organizar e cancelar assinaturas esquecidas, e muitos consumidores não querem somar “mais uma mensalidade” só para usar recursos comuns do carro.
As montadoras também têm sido pouco discretas ao monetizar funções já instaladas, como ilustra o caso do Audi Q4 e-tron, em que o botão físico de “Sync” do ar-condicionado exibe aviso dizendo que o recurso não foi comprado.
Mesmo veículos usados estão sendo puxados para esse modelo, com marcas buscando estender as assinaturas ao segundo e terceiro proprietário, transformando o carro em plataforma permanente de cobrança.
Além do bolso, a pressão recai sobre a privacidade: pesquisas do Pew Research mostram que a coleta de dados por empresas e governos faz a maioria dos americanos se sentir sem controle sobre suas informações.
Carros modernos são especialmente problemáticos nesse sentido, já que fabricantes podem vender dados de uso, criando uma segunda fonte de receita recorrente baseada no comportamento dos motoristas.
Um dono de Chevy Bolt descobriu que seus hábitos ao volante, incluindo padrão de uso de acelerador e freio, estavam sendo registrados, vendidos a um intermediário de dados e repassados a seguradoras sem consentimento direto.
O resultado foi aumento do prêmio do seguro e dificuldade para conseguir cotações mais baixas em outras empresas, que já haviam comprado as mesmas informações e as usavam contra o próprio cliente.
Para completar, toda essa conectividade abre porta para riscos de segurança digital, com possibilidade de invasões, roubo de dados de serviços por assinatura e uso investigativo ampliado por autoridades com acesso remoto ao veículo conectado.
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