Depois de tirar o Classe A de linha, Mercedes recua, e o mantém vivo por mais três anos, mas produção vai sair da Alemanha

mercedes classe a45
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A trajetória do Mercedes-Benz Classe A ganhou mais um capítulo inesperado: depois de anunciar sua descontinuação, a marca decidiu manter o modelo em produção até 2028.

Mas essa sobrevida vem com mudanças significativas — a começar pelo fim da fabricação na Alemanha.

O hatch compacto, que desde 2018 sai da linha de montagem da planta de Rastatt, terá sua produção transferida para a unidade de Kecskemét, na Hungria, a partir do segundo trimestre deste ano.

A motivação central é financeira. Ao migrar de uma fábrica alemã para o leste europeu, a Mercedes busca reduzir custos de operação e mão de obra, protegendo as margens do Classe A, seu modelo mais acessível no continente.

Com a mudança, a produção anual deve atingir entre 300 mil e 400 mil unidades, segundo apuração da Auto News.

A transição faz parte de um plano mais amplo de economia da montadora, que pretende cortar cerca de €5 bilhões (aproximadamente R$ 31 bilhões) até 2027.

Além de conter gastos, a transferência libera capacidade na fábrica alemã para a nova geração de modelos baseados na plataforma MMA, como o próximo CLA, que terá versões a combustão e elétrica.

A decisão de manter o Classe A em linha vai contra o que a própria marca havia anunciado no início de 2025, quando comunicou que o modelo sairia de cena como parte de uma reestruturação na linha de compactos.

Poucos meses depois, surgiu um novo sinal de mudança: rumores indicavam que o próximo veículo de entrada da Mercedes seria um SUV compacto, abandonando o tradicional formato hatch.

Ainda não está claro se esse plano do SUV continua em pé, ou se o Classe A ganhará um sucessor direto com carroceria hatch.

O que se sabe é que a nova geração deverá usar a arquitetura MMA, o que permitirá maior flexibilidade entre combustão e eletrificação.

A permanência do Classe A também reforça a aposta da Mercedes na planta húngara, que deverá contratar cerca de 3 mil novos trabalhadores, somando-se aos 4.500 já empregados por lá.

O crescimento da produção em Kecskemét coloca a Hungria como peça-chave na estratégia europeia da marca, que precisa se defender do avanço das montadoras chinesas no Velho Continente.

A permanência do Classe A até 2028, portanto, não é apenas um gesto de carinho com o modelo: é uma medida calculada para manter competitividade, proteger margens e reposicionar a marca diante de um cenário global mais desafiador.

Mesmo mantendo o nome vivo por mais alguns anos, o Classe A já não será mais o mesmo — nem no lugar onde é fabricado, nem no que representa para a Mercedes.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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