
Depois de um ciclo em que cortar custos virou quase uma identidade, a Stellantis está tentando recuperar o que realmente sustenta uma montadora: produto bom, variedade certa e rede de concessionárias alinhada.
Quem faz essa leitura é John Elkann, chairman do grupo, ao dizer que a companhia voltou o foco para melhorar qualidade, ampliar a oferta de híbridos e reparar relações com dealers.
Ele afirma que as mudanças já começam a produzir efeito e que a empresa tem condições de “virar a esquina”, em uma mensagem enviada aos acionistas da Exor.
A Stellantis busca reverter o quadro depois de registrar €22,2 bilhões (R$ 135,3 bilhões) em encargos no mês passado, em grande parte ligados a desmontar apostas excessivamente ambiciosas em EVs.
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No mesmo trecho, Elkann reconhece que a virada para prejuízo líquido no ano passado transformou o período em um “ano de acerto de contas” dentro da operação.
Segundo ele, cada área do grupo foi reavaliada para encontrar pontos de melhora e iniciar correções de forma decisiva, em vez de insistir em uma lógica apenas defensiva.
A pressão no mercado, porém, segue alta, com as ações da Stellantis negociadas na Itália acumulando queda de cerca de 40% neste ano.
Um gráfico citado na atualização também aponta que a montadora perdeu quase 80% do valor de mercado nos últimos dois anos, um tombo difícil de maquiar.
Do lado da holding, a Exor divulgou resultados no fim da segunda-feira abaixo das projeções de analistas, e os papéis chegaram a cair até 7,7% no dia.
No texto aos acionistas, Elkann prometeu mudanças estratégicas na Exor, com simplificação do portfólio e foco em um número menor de grandes empresas para aumentar supervisão.
A holding vendeu neste mês o negócio de mídia Gedi para o Antenna Group e já havia acertado a saída da participação na Iveco para a Tata Motors.
Nesse movimento, também entrou a venda da unidade de defesa da Iveco para a Leonardo, acelerando uma reformulação que troca dispersão por concentração.
Mesmo assim, a Exor disse ter elevado o caixa para aquisições a mais de €3,5 bilhões (R$ 21,3 bilhões), mirando um negócio do porte do investimento em Philips.
Em 2023, a empresa comprou 15% da fabricante de equipamentos médicos por cerca de €2,6 bilhões (R$ 15,8 bilhões) e elevou recentemente a fatia para aproximadamente 19%.
Na Stellantis, Elkann ainda aponta a busca por competitividade na Europa, incluindo conversas sobre acordos com pares chineses que poderiam investir em operações europeias hoje fragilizadas.
Ele lembra que foi escolhido pelo avô Gianni Agnelli para liderar interesses industriais da família e que comandou temporariamente a Stellantis antes de Antonio Filosa assumir como CEO em junho.
Por fim, Elkann disse que 2026 seguirá “exigente” para a Exor, citando incertezas geopolíticas e de mercado como motivo para uma postura mais prudente.
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