
Para uma marca acostumada a estampar seu nome em carros de James Bond e na Fórmula 1, ter de vender justamente esse nome diz muito sobre a fase atual da Aston Martin.
A montadora britânica aprovou a captação de £50 milhões em espécie, o equivalente a R$ 350 milhões, ao negociar os direitos de uso da marca com a holding da equipe de F1, AMR GP Holdings.
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Na prática, trata-se de mais um aporte indireto do chairman Lawrence Stroll, que lidera o consórcio controlador da escuderia e já havia colocado dinheiro novo na empresa no ano passado.
O negócio foi anunciado junto ao terceiro profit warning em doze meses, com a companhia admitindo que o prejuízo operacional ajustado de 2025 ficará abaixo da faixa estimada por analistas.
Segundo o comunicado, o resultado ficará “um pouco abaixo” do piso de £184 milhões de perda antes de juros e impostos projetado pelo mercado para o ano.
O grupo, que tem entre seus principais acionistas a chinesa Geely e o fundo soberano saudita PIF, luta há anos para gerar fluxo de caixa consistente e margens minimamente estáveis.
Sob pressão de custos, juros altos e demanda instável, a Aston Martin já adiantou que deve reduzir em até 20% sua força de trabalho global como parte de um corte de despesas mais amplo.
No texto divulgado na sexta-feira, a empresa descreve 2025 como um ano de “ambiente de negócios extremamente desafiador”, resumindo o impacto combinado de mercado, tarifas e atrasos em produtos.
No front esportivo, a venda de branding rights à AMR não encerra a presença da marca na F1, já que há um acordo de patrocínio de longo prazo que garante o uso do nome até 2055.
Ainda assim, o movimento reforça a dependência financeira de Stroll e a tentativa de extrair liquidez de ativos intangíveis, num momento de caixa pressionado.
Em 2024, a Aston Martin já havia levantado mais de £125 milhões com novo investimento do próprio Stroll e a venda de uma fatia minoritária da equipe de Fórmula 1.
Outro ponto sensível é o supercarro híbrido Valhalla, cuja produção em ritmo abaixo do esperado forçou a empresa a revisar projeções de receita e rentabilidade.
No quarto trimestre, a montadora entregou apenas 152 unidades do modelo, bem menos que as mais de 200 estimadas pelos analistas antes do segundo profit warning de outubro.
Agora, a promessa é de entregar mais de 500 Valhalla ao longo de 2026, o que, segundo a própria Aston Martin, traria uma “melhora material” no desempenho financeiro.
A empresa também segue bastante exposta às tarifas impostas pelo governo Trump aos carros importados do Reino Unido, já que não possui fábrica em solo americano.
Pelo acordo comercial EUA-Reino Unido em vigor desde o ano passado, a tarifa caiu de 27,5% para 10% apenas sobre os primeiros 100.000 veículos anuais, deixando o restante sujeito à alíquota cheia.
Mesmo com o alívio parcial, a estrutura de custos continua pesada para um fabricante de baixo volume como a Aston Martin, que depende fortemente do mercado norte-americano.
Na Bolsa de Londres, as ações reagiram mal ao novo alerta de resultados e à necessidade de mais uma injeção de recursos, recuando cerca de 1,4% nas negociações da manhã.
Com o balanço completo prometido para quarta-feira, investidores aguardam detalhes sobre plano de cortes, cronograma do Valhalla e próximos passos na estratégia de eletrificação.
A essa altura, o mercado quer menos glamour de paddock e mais clareza sobre como a Aston Martin pretende voltar a ser sustentável sem viver eternamente de socorros dos próprios controladores.
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