
Enquanto boa parte da indústria automotiva corre para transformar carros em grandes tablets sobre rodas, a Ferrari decidiu seguir na contramão.
A marca italiana revelou parcialmente o interior do inédito Ferrari Luce, e o que se viu foi o esboço de uma revolução silenciosa — com direção firme de Jony Ive, o lendário ex-designer da Apple.
Apesar de anos de desenvolvimento, a Ferrari liberou por ora apenas uma imagem: volante, painel de instrumentos, console central e parte do painel frontal.
O projeto foi confiado a Ive e seu parceiro Marc Newson, ambos à frente do estúdio LoveFrom, conhecido por sua abordagem de design centrada no ser humano.
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A ideia, segundo eles, não era apenas “modernizar”, mas repensar por completo como os motoristas interagem com os comandos do carro.

Ive foi direto ao criticar o padrão atual da indústria, liderado por Tesla, que centralizou tudo em uma única tela sensível ao toque.
Ele voltou a citar sua famosa frase sobre como “um pedaço da alma morre” ao entrar em um carro com uma tela gigante no meio do painel.
Para ele, o problema é funcional e também filosófico: as telas exigem atenção visual constante e empurram camadas e mais camadas de menus.
Isso não apenas compromete a segurança, como transforma a experiência de dirigir em algo mais próximo de trabalhar em um escritório digital.
Segundo Ive, a multitela foi uma revolução tecnológica quando surgiu — mas sua adoção nos carros foi feita de maneira apressada e acrítica.

Ele afirma que desenvolveu o sistema multitouch ciente de seu poder, mas também da necessidade de estruturas para usá-lo com responsabilidade.
Essas estruturas, segundo ele, nunca chegaram a ser implementadas, e o resultado é o uso indiscriminado de telas em contextos inadequados, como o interior de um carro.
Marc Newson reforçou o argumento, dizendo que “uma tela grande é, muitas vezes, gratuita — e traz consequências”.
Para ele, o foco deveria estar em soluções mais modestas e integradas, que sirvam ao motorista, e não ao fetiche tecnológico.
Na visão dos dois designers, o futuro do cockpit de um carro de luxo não está em imitar smartphones, mas em oferecer um ambiente mais sensorial, intuitivo e focado na condução.
Ferrari parece concordar com essa filosofia, e o Luce deverá inaugurar essa nova linguagem.
Com estreia completa prevista para maio, o modelo já gera debate ao questionar a hegemonia das supertelas.
Em vez de uma experiência digital genérica, o novo Ferrari propõe um retorno à essência — onde dirigir é mais prazer do que interface.
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