
A febre dos carros elétricos nos EUA parece estar esfriando, enquanto o calor do avanço da inteligência artificial aquece um novo mercado: o de baterias para armazenamento de energia.
Com as vendas de EVs em queda e políticas de incentivo sendo revertidas, montadoras e fabricantes de baterias estão transformando fábricas antes dedicadas a veículos elétricos em centros de produção voltados para sistemas de armazenamento energético.
Segundo a consultoria CRU, ao menos dez fábricas na América do Norte estão sendo reconfiguradas, sete delas com foco exclusivo em atender a demanda crescente por ESS — Energy Storage Systems.
Esses sistemas consistem em módulos de baterias controlados por software, projetados para estabilizar o fornecimento de energia de fontes intermitentes como eólica e solar, algo vital para residências, empresas e, principalmente, data centers de IA.
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A Ford, por exemplo, está adaptando uma de suas plantas em Kentucky para produzir baterias para ESS, alegando alta demanda por fornecedores nacionais com competência qualificada.
A Stellantis, em parceria com a coreana Samsung SDI, também está convertendo linhas de produção em Indiana, com o mesmo objetivo: atender ao setor de energia, não mais aos carros.
A General Motors já admite considerar a fabricação própria de baterias para ESS, sinalizando que as três maiores montadoras de Detroit miram agora as empresas de tecnologia como novas clientes.
Data centers que operam algoritmos de IA não podem correr o risco de interrupções de energia, o que impulsiona a necessidade por baterias robustas e confiáveis.
Em paralelo, a Tesla viu sua receita com produtos de energia saltar para US$ 12,8 bilhões em 2025 — quase cinco vezes mais que em 2021 — enquanto suas vendas de EVs caíram 9%, para US$ 64 bilhões.
A guinada também reflete mudanças políticas: o governo Trump reduziu os créditos fiscais para compra de EVs, além de desmontar regras ambientais que incentivavam sua adoção.
Essas decisões levaram analistas a cortar de 48% para 27% a previsão de participação dos EVs nas vendas de carros nos EUA até 2030.
Enquanto isso, fabricantes tentam aproveitar subsídios ainda vigentes para produção de baterias, como os créditos de US$ 35 por kWh e o incentivo de 30% para investimento em ESS.
Mesmo com tarifas de 60% sobre as baterias chinesas, especialistas afirmam que o custo da produção nos EUA já se aproxima da paridade com as importações — mas a qualidade ainda é um obstáculo.
Empresas coreanas, como as parceiras da Stellantis e GM, têm menos experiência com as baterias de fosfato de ferro-lítio, padrão dominante no ESS fabricado na China.
Isso faz com que os produtos nacionais ainda sejam inferiores em desempenho, enquanto a China acelera exportações antes da retirada de subsídios em abril.
Apesar do entusiasmo, há dúvidas sobre a real capacidade de absorção do mercado de ESS para compensar a queda dos EVs.
Consultorias como a Wood Mackenzie projetam que a demanda por baterias para carros continuará maior que a de ESS até pelo menos o fim da década.
Se houver uma retomada no interesse por EVs, empresas que converteram suas fábricas agora podem ficar presas no timing errado de mais uma transição arriscada.
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