Dieselgate volta a assombrar a Volkswagen: França leva montadora a julgamento por risco à saúde humana e animal

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Mais de dez anos depois de estourar o Dieselgate, a Volkswagen volta ao centro do furacão, agora obrigada a encarar um julgamento criminal na França.

O novo processo mira a acusação de que a montadora teria enganado consumidores ao vender veículos cujas emissões colocariam em risco a saúde humana e animal.

A formulação da denúncia, revelada pela agência AFP segundo fonte próxima ao caso, vai além do simples defeito técnico e encosta na esfera de crime contra a saúde.

Um tribunal em Paris deve discutir em dezembro a definição do calendário, o que indica que as primeiras audiências só começariam, na melhor das hipóteses, em 2027.

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Até o momento, representantes da Volkswagen não responderam aos pedidos de comentário feitos pela Bloomberg sobre o andamento do processo e a estratégia de defesa.

O caso francês não mira apenas a VW, já que autoridades locais também avançam contra a Renault e duas divisões do grupo Stellantis , todas sob suspeita de práticas semelhantes.

Renault, Stellantis e Volkswagen negam irregularidades, repetindo a linha de defesa adotada desde que os testes revelaram discrepâncias gritantes entre emissões reais e resultados apresentados às autoridades regulatórias.

O escândalo de emissões já custou dezenas de bilhões de dólares à indústria global, em multas, reparações, recalls maciços e acordos com consumidores em diferentes países.

No ano passado, quatro ex-executivos da Volkswagen foram condenados na Alemanha por participação no esquema, reforçando a tese de que a responsabilidade não se limitou a erros técnicos isolados.

Paralelamente, Mercedes-Benz, Ford e outras montadoras enfrentam no Reino Unido um megaprocesso coletivo, em formato semelhante a ação civil pública, discutindo prejuízos supostamente causados aos proprietários.

Na França, a acusação de enganar consumidores com produtos que colocam em risco a saúde pode elevar a gravidade das penas e o impacto simbólico do julgamento.

O processo também reacende o debate sobre até que ponto as montadoras manipularam conscientemente sistemas de controle de emissões para cumprir metas ambientais apenas no papel.

Para a Volkswagen, enfrentar um novo julgamento criminal em um grande mercado europeu significa reabrir feridas reputacionais num momento em que a eletrificação já exige investimentos pesados.

O desfecho do caso francês pode influenciar futuras ações civis e criminais em outros países, além de moldar a forma como governos tratam fraudes ambientais envolvendo grandes grupos automotivos.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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